Atirador somali ataca etíopes e quatro pessoas morrem

Um atirador somali abriu fogo contra um comboio militar etíope em Mogadiscio neste sábado, provocando uma violenta troca de tiros que atingiu civis no fogo cruzado e matou pelo menos quatro pessoas, disseram testemunhas. O ataque - que se seguiu a outro ataque com morteiros contra o palácio presidencial na sexta-feira - foi o mais recente na campanha de estilo guerrilheiro contra o governo somali e seus aliados militares etíopes que expulsaram fundamentalistas islâmicos da cidade. Testemunhas disseram que depois que o agressor somali começou a atirar com uma metralhadora AK-47, o comboio etíope que viajava pelo norte de Mogadiscio abriu fogo com uma arma antiaérea. As pessoas que passavam por ali entraram em pânico e tentaram se proteger e um tanque bateu em um microônibus na confusão, disseram testemunhas. "Estávamos abrindo nossas lojas quando isto aconteceu", disse uma mulher com ferimentos de bala nas costas, no hospital Medina, em Mogadiscio." "Um único atirador abriu fogo contra o comboio etíope, e os etíopes revidaram com fogo pesado." Quatro pessoas morreram e cerca de uma dúzia ficou ferida, disseram as testemunhas à Reuters, indicando que os mais afetados foram os civis. Não se sabe se o atirador morreu. A União Africana (UA), que aprovou a força de paz para a Somália na sexta-feira, disse que a violência em Mogadiscio mostra a necessidade de urgência na formação das tropas. O conselho de paz e segurança da UA aprovou uma força de 7.650 homens, apenas alguns minutos antes de um ataque com cinco morteiros contra o palácio presidencial Villa Somalia, na sexta-feira à noite. O presidente Abdullahi Yusuf, que se mudou para lá após a recente expulsão de fundamentalistas islâmicos que controlaram o sul da Somália por seis meses, estava dentro do palácio mas não ficou ferido, disseram fontes do governo. "Isto mostra a necessidade da formação das tropas o mais breve possível", disse o comissário de paz e segurança da UA, Said Djinnit, após a aprovação formal de uma missão de paz de seis meses. Etiópia quer sair Muitos duvidam da capacidade da UA de controlar a força de paz, muito menos de controlar a Somália. O país está mergulhado no caos desde a derrubada em 1991 de um ditador no país. No início dos anos de 1990, a Somália desafiou as tropas de paz norte-americanas e da ONU. Apenas a Uganda prometeu publicamente fornecer soldados. Mas Djinnit disse que um outro país havia prometido ajudar. A UA, cujos soldados de paz na região de Darfur, no Sudão, não conseguiram deter o conflito lá, quer que as Nações Unidas assumam após seis meses. As suspeitas pelos ataques em Mogadiscio recaíram sobre os fundamentalistas islâmicos, que prometeram várias vezes revidar com táticas guerrilheiras após sua rápida e surpreendente derrota pelas forças do governo etíope no final do ano passado. Espalhados por regiões remotas do sul do país, perto da fronteira com o Quênia, alguns fundamentalistas islâmicos começaram a voltar a Mogadíscio disfarçados, de acordo com fontes do movimento. Diplomatas temem um vácuo perigoso depois que as tropas etíopes voltarem para casa. O primeiro-ministro, Meles Zenawi, disse que quer a retirada dos soldados dentro de alguns dias, o que aumenta a urgência para a criação da missão de paz.

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