STR/AFP
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Atiradores invadem cerimônia e matam 32 pessoas no Afeganistão

Estado Islâmico reivindicou ataque, que aconteceu em evento com líderes políticos importantes

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 17h24

CABUL - Homens armados abriram fogo nesta sexta-feira, 6, em uma cerimônia com líderes políticos importantes na capital afegã,  matando pelo menos 32 pessoas e ferindo dezenas de outras antes de serem mortos pela polícia, informaram autoridades locais. O grupo Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque em uma declaração em seu site.

Militantes do EI declararam guerra aos xiitas do Afeganistão, e muitos dos que estavam na cerimônia eram da minoria xiita. A cerimônia comemorava o assassinato em 1995 de Abdul Ali Mazari, líder dos hazaras étnicos do Afeganistão, que são na maioria muçulmanos xiitas.

O Taleban disse que não estava envolvido no ataque, que ocorreu menos de uma semana após os EUA e o grupo assinarem um acordo de paz ambicioso que estabelece um caminho para a retirada das forças americanas do país.

O porta-voz do Ministério do Interior Nasrat Rahimi disse que 32 pessoas foram mortas e 81 ficaram feridas no ataque no bairro de Dasht-e-Barchi, em Cabul. O Ministério da Saúde deu o mesmo número de mortos, mas disse que 58 ficaram feridos. Todas as vítimas eram civis, disse Rahimi.

O líder da oposição, Abdullah Abdullah, que é o principal executivo do país e foi um dos principais candidatos nas eleições presidenciais do ano passado, estava entre várias autoridades políticas importantes que participaram da cerimônia, mas foram embora antes do ataque e não foram feridas.

Vários jornalistas de TV estavam cobrindo a cerimônia dentro de um complexo murado quando os pistoleiros começaram a atirar, e um repórter e um operador de câmera de uma emissora local estavam entre os feridos.

Karim Khalili, chefe do alto conselho de paz do Afeganistão, estava fazendo um discurso quando os tiros o interromperam. Ele não se machucou e depois foi à TV denunciar a violência.

Várias testemunhas disseram que, em meio ao pânico, membros das forças de segurança do evento dispararam contra civis na multidão.

"Indivíduos com uniformes militares que estavam lá como alvos, houve baixas, mortos e feridos", disse a testemunha Ghulam Mohammad, de acordo com vídeo da Associated Press.

Outro sobrevivente, Noor Mohammad, disse: "Todo mundo estava correndo. Três vítimas estavam no chão na minha frente. Eu saí de lá para salvar minha vida".

Depois de abrir o fogo, os dois homens armados se esconderam em um prédio de apartamentos semi-acabado, levando a um impasse de cinco horas com as forças de segurança. Eles foram mortos e as forças de segurança limparam o prédio, disse Rahimi. A área foi isolada.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, condenou a violência e reiterou "que ataques contra civis são inaceitáveis ​​e quem pratica esses crimes deve ser responsabilizado", segundo o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. /AP

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