Ativista baleada pelo Taleban no Paquistão é transferida e corre perigo

Malala Yousafzai foi de helicóptero para hospital militar melhor equipado, mas estado de saúde ainda é grave

AE, Agência Estado

11 de outubro de 2012 | 11h29

Texto atualizado às 11h54

PESHAWAR - A ativista adolescente Malala Yousafzai, de 14 anos, baleada pelo Taleban no Paquistão, foi transferida  de helicóptero nesta quinta-feira, 11, para um hospital militar melhor equipado, segundo autoridades do país.

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Um dos médicos, Mumtaz Khan, afirmou mais cedo que o estado de saúde da menina ainda é preocupante. "Ela não está fora de perigo, apesar de melhoras", afirmou Masood Kausar, governador da província de Khyber Pakhtunkhwa. Preparações estão sendo feitas para enviá-la ao exterior, mas uma fonte entre os militares disse que as condições de saúde da menina ainda são ruins para uma viagem.

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O ataque

A ativista estava em um ônibus com outras alunas que voltavam da escola quando foi atacada na cidade de Mingora, Paquistão, na terça-feira. No ano passado Malala foi nomeada para o Prêmio Internacional da Paz Infantil, por seu respeitado trabalho de promoção da escolaridade entre meninas - algo que o Taleban repudia. O grupo fundamentalista prometeu matá-la.

Luta

Malala ganhou relevância internacional há três anos, quando passou a divulgar em um blog o regime de terror imposto pelo Taleban em sua região natal no Vale de Swat, no extremo norte do Paquistão.

Essa ousadia, assim como a de sua família, que a encorajou a seguir frequentando a escola apesar da proibição dos fundamentalistas, lhe valeu duras ameaças do grupo. Apesar dos talebans terem sido expulsos de Swat em 2009, a ameaça continuou e terminou com o ataque de ontem, quando a menina voltava da escola com duas amigas. "Dois homens pararam o veículo, perguntaram quem era Malala e dispararam contra ela e suas amigas", disse o policial de Swat, Wazir Badshá, que reconheceu que ainda ninguém foi detido pela agressão.

Em um extenso comunicado enviado à imprensa local, o Taleban assumiu o ataque, afirmando que "Malala foi atacada por seu papel pioneiro na prédica do secularismo e da chamada ilustração moderada". O texto recorreu a passagens do Corão para justificar o ataque às meninas e disse que matar Malala era uma "obrigação sob a sharia ('lei islâmica')".

Repercussões

No ano passado, Malala recebeu o Prêmio Nacional da Paz por sua defesa pela educação das meninas frente aos postulados dos fundamentalistas radicais. O atentado teve grande impacto no país. Muitas escolas da região fecharam as portas em forma protesto.

O chefe do Exército do Paquistão, general Ashfaq Parvez Kayani, divulgou uma declaração condenando o ataque. "Os terroristas não entenderam que ao atacar Malala eles não atacaram apenas um indivíduo, mas um ícone de coragem e esperança", disse Kayani, que raramente faz pronunciamentos públicos, mesmo sobre assuntos militares.

Autoridades e ONGs de direitos humanos também condenaram o ataque e alertaram para os desdobramentos que ele pode causar.

A representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice, se manifestou pelo Twitter. "O futuro do Paquistão pertence a Malala e aos valentes jovens como ela. A história não se lembrará dos covardes que tentaram matá-la na escola".

Nova posição frente ao Talebã

O ataque motivou uma série de protestos nas ruas de várias cidades do Paquistão e pode ter impactos na relação entre governo, parlamentares e o Talebã. "A inabilidade do governo de reconstruir (as escolas) juntou-se à sua ambivalência em relação ao Talebã, o que deu espaço aos militantes para levarem a cabo atos de sabotagem com impunidade. A questão é: isso vai mudar a partir de agora?" questiona o correspondente. "A tentativa de assassinato contra Malala Yousafzai chocou e irritou a nação. Há relatos do Parlamento sugerindo que um consenso mais amplo contra o Talebã pode estar sendo discutido - algo que os políticos paquistaneses nunca atingiram antes", acrescenta.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse que o ataque contra Malala não afetará a luta do país contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina. O governo também ofereceu uma recompensa do equivalente a cerca de R$ 200 mil reais por quem oferecer pistas sobre os agressores de Malala.

Já o diretor do Comitê Independente de Direitos Humanos do Paquistão, Zohra Yusuf, disse que "esse trágico ataque contra uma criança tão corajosa" envia uma mensagem assustadora para todos que lutam para as mulheres e meninas paquistanesas.

O crime também foi criticado pela maioria dos partidos políticos paquistaneses, celebridades de TV e outros grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

A campanha articulada de Malala em prol da educação de meninas lhe rendeu admiradores e reconhecimento dentro e fora do país. Ela apareceu em TVs nacionais e internacionais falando de seu sonho de um futuro em que a educação no Paquistão prevalecesse.

Com BBC Brasil e agências de Notícias

 

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