Alberto Pezzali/AP
Alberto Pezzali/AP

Ativista britânica do Black Lives Matter é baleada na cabeça e está em estado crítico

Polícia afirmou que até o momento não há elo entre o episódio e ativismo; ela teria recebido ameaças

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 17h39

LONDRES - Uma ativista britânica do movimento Black Lives Matter levou um tiro na cabeça  nas primeiras horas de domingo, 23, informaram autoridades locais. Sasha Johnson, de 27 anos, está em estado crítico. A ativista havia recebido inúmeras ameaças de morte, afirma o partido Taking The Initiative, ao qual Johnson é filiada.

Johnson foi baleada no bairro Southwark, em Londres, por volta das 3 da manhã de domingo. De acordo com a polícia, o incidente aconteceu nas proximidades de uma casa onde acontecia uma festa. Ela foi levada a um hospital próximo. 

A Polícia Metropolitana de Londres afirma que até o momento nada sugere que o ataque tenha sido direcionado ou esteja ligado ao ativismo de Johnson. "Este foi um incidente chocante que deixou uma jovem com ferimentos muito graves. Nossos pensamentos estão com sua família, que está recebendo apoio neste momento terrivelmente difícil", disse o inspetor-chefe Jimi Tele.

Em entrevista à BBC nesta segunda-feira, um amigo de Johnson, Imarn Ayton, disse não pensar que a ativista era o alvo do atirador. Ayton acredita que o incidente esteja ligado a uma briga de gangues rivais.

Oficiais apelam para que testemunhas se apresentem. O legislador trabalhista David Lammy descreveu o incidente como angustiante, enquanto Claudia Webbe, também parlamentar trabalhista, disse que "todas as mulheres deveriam estar seguras em nossas ruas".

O Taking The Initiative descreveu Johnson como uma "voz forte e poderosa", conhecida por "lutar ativamente pelos negros e pelas injustiças que cercam a comunidade negra".

O Black Lives Matter do Reino Unido disse em sua conta do Twitter que Johnson é uma jovem mãe e ativista política destemida, acrescentando que ela era uma figura proeminente que esteve na linha de frente das marchas no ano passado.

Protestos contra o racismo no Reino Unido

Johnson ajudou a organizar uma série de protestos em toda a Grã-Bretanha no verão passado e foi registrada falando para multidões nas ruas enquanto usava um colete à prova de facadas e calças camufladas. Ela também ajudou a organizar a Marcha do Milhão de Pessoas, que ocorreu em Londres em agosto do ano passado para protestar contra o racismo sistêmico em solo britânico - apesar das advertências da polícia contra reuniões em massa durante o surto do coronavírus.

“Como povo, não vamos parar até que tenhamos direitos iguais e justiça”, disse Johnson na época, acrescentando que esperava que o movimento “capacitasse a comunidade a lutar pelo melhor”.

Uma vígilia do lado de fora do Kings College Hospital está marcada para esta segunda-feira. Os organizadores dizem que será um espaço para as pessoas orarem, mostrarem apoio e "tomarem uma posição contra a violência sem sentido".

Nenhuma prisão foi feita em conexão com o caso. Embora crimes com facas sejam comuns na Grã-Bretanha, atingindo níveis recordes em 2019, ataques com armas de fogo são relativamente raros, em um país onde a maioria dos policiais em serviço está desarmada.

Em 2019, 33 pessoas foram mortas em consequência de crimes com armas de fogo, de acordo com o Escritório de Estatísticas Nacionais da Grã-Bretanha. No ano que terminou em março de 2020, havia cerca de 46 mil crimes registrados envolvendo uma faca ou instrumento afiado na Inglaterra e no País de Gales,  o que o Parlamento chamou de "uma preocupação persistente e preocupante". /WP

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