Ativista chinês chega aos Estados Unidos com família

Atualizada às 20h20  

Agência Estado,

19 Maio 2012 | 19h03

O ativista chinês Chen Guangcheng chegou hoje ao Newark Liberty International Airport, em Nova York, após ser rapidamente retirado de um hospital. A saída de Chen da China encerra cerca de um mês de longas negociações diplomáticas que testaram as relações entre os norte-americanos e os chineses. Deficiente visual, Chen, sua esposa e seus dois filhos embarcaram no voo 88 da United Airlines, que decolou do aeroporto de Pequim.

"Centenas de pensamentos estão surgindo em minha cabeça", disse Chen, em entrevista à agência Associated Press concedida na manhã de sábado quando ainda estava no aeroporto de Pequim. Ele se mostrou apressado, mas calmo. Chen manifestou gratidão àqueles que o apoiaram e a outros da comunidade ativista e indicou que tinha esperanças de poder voltar ao país.

"Eu estou pedindo uma licença e espero que eles compreendam", disse. Chen foi levado ao avião em um veículo semelhante a um miniônibus e foi visto em uma cadeira de rodas. A viagem de Chen e de sua família para os EUA marca o desfecho de quase um mês de incertezas e de anos de destrato das autoridades locais ao ativista auto ditada, que fez uma ousada fuga da prisão domiciliar em que era mantido em sua aldeia, no mês passado.

As pessoas que o apoiavam saudaram a sua saída do país. "Eu acho que é um grande avanço. Nós estamos felizes quanto a isso", afirmou o ativista de direitos humanos, Bob Fu, que mora nos EUA "É uma vitória daqueles que lutam pela liberdade."

Chen buscou proteção de diplomatas norte-americanos na Embaixada dos EUA em Pequim, desencadeando uma disputa diplomática dias antes das negociações sobre os desequilíbrios econômicos e outros temas importantes que foi conduzida pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton. Após negociações que se prolongaram por diversos dias, as partes anunciaram um acordo no qual ele e sua família poderiam se mudar para os EUA, onde ele estudaria.

A saída de Chen, de sua esposa e das duas crianças pareceu ter sido organizada às pressas e foi inteiramente orquestrada por autoridades chinesas e norte-americanos sem influência aparente do ativista. Chen disse que foi orientado no hospital a arrumar suas malas e se preparar para deixar o país. Autoridades não deram passaportes para ele e nem para a sua família, além de não terem lhes informado detalhes do voo antes da chegada ao aeroporto.

Deixando transparecer ambivalência, Chen disse que não estava "feliz" por deixar o país e que ele tinha muito em sua mente, incluindo apreensões sobre retaliação a seus familiares que ficaram na China. "Espero que o governo cumpra as promessas feitas para mim, todas as promessas", disse. Entre as promessas está a abertura de uma investigação sobre os abusos cometidos contra ele e sua família na Província de Shandong.

A Casa Branca comemorou o acordo que permitiu a saída do ativista de Pequim. Ben Rhodes, vice-conselheiro nacional de segurança dos EUA, disse que o governo americano estava satisfeito com o resultado das negociações entre o governo chinês e o Departamento de Estado, que conseguiram a permissão para o ativista viajar. As informações são da Associated Press.

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