Ativista chinês diz em vídeo estar sob prisão domiciliar

Advogado cego acusa governo da China de coagir mulheres a realizar abortos ilegais.

BBC Brasil, BBC

10 de fevereiro de 2011 | 09h57

Imagem de 2005 mostra Chen na província de Shandong

Um dos ativisitas pró-direitos humanos mais conhecido da China afirmou que está sendo mantido sob prisão domiciliar. Chen Guangcheng fez a denúncia em um vídeo, que foi divulgado por uma organização americana.

"Saí de uma pequena prisão e entrei em uma grande", disse Chen no vídeo. As autoridades chinesas não confirmaram que o ativista, um advogado, que é cego, esteja sob prisão domiciliar.

Estes foram os primeiros comentários feitos por Chen desde que ele foi libertado da prisão, em setembro do ano passado. Ele é conhecido por acusar o governo chinês de realizar abortos forçados.

O governo da China impõe uma rígida política de controle de natalidade no país.

O grupo americano de defesa dos direitos humanos China Aid disse que recebeu o filme de um "amigo anônimo dentro do governo da China".

No vídeo, a mulher de Chen filma o que parece ser um agente de segurança chinês. O homem aparece em uma escada, olhando para dentro da casa, localizada na província de Shandong.

De pé, Chen afirma como tem passado os últimos cinco meses sob vigilância 24 horas.

Segundo ele, o telefone da casa foi cortado, e homens em carros bloqueiam o acesso à sua casa. Segundo Chen, qualquer um que tenta se aproximar é ameaçado.

"Não posso dar um passo sequer para fora da minha casa. Minha mulher tampouco pode sair. Apenas minha mãe pode sair, para comprar comida", diz ele, que costumava dar apoio legal a pessoas da comunidade próxima a ele.

"Chen está vivendo em condições precárias, isolado de contato exterior e detido ilegalmente em sua casa", diz Bob Fu, fundador e presidente da China Aid.

Chen cumpriu quatro anos de prisão em setembro. Ele acusou autoridades locais de terem coagido mais de sete mil mulheres de sua província a se submeterem a abortos ou esterilizações.

Mês passado, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, citou o caso de Chen, pedindo sua libertação e a do Nobel da Paz Liu Xiaobo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
chinadireitos humanoseuachen

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.