Ativista chinês é condenado a três anos de prisão

O advogado chinês Gao Zhisheng, defensor de membros do grupo religioso Falun Gong e um dos mais conhecidos ativistas de defesa dos direitos humanos no país, foi condenado a três anos de prisão, informaram nesta sexta-feira fontes judiciais.Segundo a sentença do Tribunal Popular Intermediário Número 1 de Pequim, Gao escreveu artigos "rebeldes" para meios de comunicação como o jornal americano "Epoch Times", vinculado à Falun Gong. O culto foi proibido na China em 1999, quando tinha dezenas de milhões de seguidores.A agência oficial "Xinhua" citou um artigo intitulado "O regime nunca deixou de matar gente" e a "Carta aberta a Hu Jintao e Wen Jiabao", presidente e primeiro-ministro da China, respectivamente."Nos artigos, Gao difamou e divulgou rumores sobre o Governo da China e seu sistema social, conspirando para derrubar o regime", diz a sentença.Gao, cuja causa foi defendida por Human Rights in China e muitas outras ONGs, também perdeu seus direitos políticos durante um ano, segundo a agência estatal "Xinhua". Depois dos três anos de prisão, passará cinco anos submetido a vigilância policial, de acordo com a decisão judicial.O advogado ficou famoso ao defender casos de camponeses desapropriados por funcionários corruptos, assim como de seguidores de Falun Gong que denunciaram maus-tratos policiais e membros de grupos religiosos clandestinos.Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, Gao sofreu o assédio das autoridades. Ele mesmo denunciou uma tentativa de assassinato, em janeiro. Mo Shaoping, advogado de Gao, que não pôde ser encontrado, denunciou durante o julgamento numerosas irregularidades. O juiz afirmou que o réu tinha renunciado à defesa, mas sem uma declaração por escrito. Além disso, Mo foi proibido de falar pessoalmente com Gao.

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