Ativista chinês rejeita pagar multa milionária

A Justiça chinesa rejeitou o recurso do artista Ai Weiwei contra multa de US$ 2,4 milhões cobrada por suposta evasão fiscal. O dissidente declarou que não pagará o US$ 1,1 milhão que ainda deve, em um ato de desafio às autoridades de Pequim.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h07

Mais célebre artista vivo da China, Ai foi um dos idealizadores do Ninho de Pássaros, o estádio que se transformou em ícone da Olimpíada de Pequim de 2008. Para poder recorrer da multa, o artista teve de fazer um depósito de US$ 1,3 milhão, no ano passado, e teria de pagar a diferença agora, em razão da decisão de uma corte de Pequim de confirmar a sentença. Não há possibilidade de recurso.

"O que me surpreende é que essa sociedade, que está se desenvolvendo em um ritmo tão rápido, ainda tem o mais bárbaro e atrasado sistema legal", declarou Ai à Associated Press depois de ser comunicado da decisão.

Um dos mais proeminentes críticos do governo chinês, o artista foi preso no dia 3 de abril do ano passado. À época, Pequim lançara uma ofensiva para calar dissidentes, sob temor de que a Primavera Árabe, que derrubou ditaduras no mundo islâmico, chegasse à China.

Ai permaneceu 81 dias preso e foi acusado de "crimes econômicos", o que ele e sua família veem como uma tentativa de intimidação. Quatro meses após ser libertado, o artista recebeu notificação para pagar uma multa de US$ 2,4 milhões em 15 dias. Ele iniciou uma campanha de arrecadação de fundos que se transformou em um ato de repúdio ao governo. Cerca de 20 mil pessoas doaram o US$ 1,3 milhão.

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