Ativista detida pela polícia chinesa está desaparecida

A ativista de direitos humanos Mao Hengfeng permanece foi detida no dia 24, em Pequim, pela polícia chinesa e até agora seu paradeiro é desconhecido, denunciou neste sábado a ONG Anistia Internacional (AI), em comunicado distribuído à imprensa. "A Anistia Internacional considera que Mao corre o risco de sofrer torturas e maus-tratos", alertou a ONG, que, assim como outras organizações humanitárias, sofre censura no país. Segundo a AI, Mao viajou a Pequim com sua filha no dia 15 de janeiro para participar de uma homenagem pelo primeiro aniversário da morte do ex-dirigente Zhao Ziyang. Ele passou seus últimos anos de vida em prisão domiciliar, por apoiar os estudantesmassacrados em 1989 na Praça da Paz Celestial. No dia 24 de janeiro, Mao foi detida no hotel onde estava hospedada por quatro agentes, de acordo com sua filha. No dia seguinte, as duas foram levadas de trem a Xangai, onde moram, sob custodia policial. Embora a filha tenha sido liberada ao chegar, Mao foi transferida a uma delegacia e interrogada durante 24 horas. A ativista telefonou depois para seu marido Wu Xuewei e contou que seria levada da delegacia a outro local, desconhecido. As tentativas de Wu de identificar o paradeiro da ativista foram infrutíferas. O secretário do Comitê de Residentes de Xangai, instituição oficial que vigia os residentes e colabora com a polícia, disse que ela estava"em suas mãos", e que o órgão queria "educá-la", pois os protestos dela estavam criando "instabilidade social". Não é a primeira vez que a ativista é detida pelas autoridades chinesas, desde que foi libertada de um campo de reeducação, no dia 13 de setembro. Ela fora presa em abril de 2004 devido a seus protestos contra a política do filho único. O pesadelo de Mao, ex-trabalhadora de uma fábrica de sabão em Xangai, começou quando ela ficou grávida pela segunda vez, em 1988. Ao se negar a abortar, foi demitida. Depois disso, iniciouuma luta por seus direitos que lhe custou anos de prisão e torturas.A Anistia Internacional começou uma campanha enviando cartas ao Comitê de Residentes de Xangai, ao prefeito da cidade, ao diretor do Birô de Segurança Pública e ao diretor do Birô Justiça, exigindo a libertação da ativista.

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