Ativista é detido na Arábia Saudita depois de protestos perto da fronteira do Iêmen

Um ativista saudita detido depois de instigar protestos contra o desalojamento de famílias perto da fronteira com o Iêmen começou uma greve de fome no domingo, disse seu advogado.

Reuters

30 de setembro de 2012 | 15h53

Eisa al-Marzouq al-Nakhifi, da província de Jazan, no sul da Arábia Saudita, foi preso há duas semanas e começou uma greve de fome em protesto contra sua detenção sem uma data para comparecer diante de um tribunal, disse seu advogado à Reuters.

Nakhifi fazia campanha em nome de camponeses retirados de suas casas perto da fronteira durante um breve conflito entre a Arábia Saudita e os rebeldes Houthi, do Iêmen, no final de 2009. Algumas pessoas dizem que ele não recebeu permissão para voltar.

Ele também levantou a questão de prisioneiros detidos como parte da campanha da Arábia Saudita contra militantes islamistas. Familiares dos detidos - que negam que seus parentes sejam militantes e os chamam de prisioneiros de consciência - fizeram pequenos protestos desde o início do ano passado.

"Eisa pedia demonstrações para exigir os direitos das famílias na fronteira sul, assim como das famílias de indivíduos detidos e de prisioneiros de consciência em toda a Arábia Saudita", disse o advogado Amr al-Rafei.

As autoridades acusaram Nakhifi, em um mandado de prisão, de interferir com a segurança estatal fazendo pedidos online por protestos, disse Rafei, acrescentando que ele ainda estava detido, mesmo depois de a investigação ter sido completada.

"Eles se recusaram a libertá-lo até que seu caso seja visto pelos tribunais e ainda não sabemos quando será a sua primeira audiência, não foi decidido. Eisa começou uma greve de fome hoje em protesto contra a recusa deles de liberá-lo", disse Rafei.

Um porta-voz do Ministério do Interior não pode ser imediatamente encontrado para comentar o caso.

Os camponeses retirados durante a guerra entre os sauditas e os Houthi protestaram no início de setembro, exigindo o direito de voltar para suas casas ou receber indenizações, segundo um site criado por pessoas da região que fala sobre a questão.

O site postou uma foto de 27 de setembro mostrando um sit-in de dezenas de homens vestindo trajes tradicionais em frente a uma cerca de arame farpado que o site diz que os separa de suas casas.

(Reportagem de Asma Alsharif)

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