Ativista está na Embaixada dos EUA na China

Opositores dizem que advogado cego que fugiu da prisão domiciliar está sob proteção americana

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2012 | 03h04

O ativista cego Chen Guangcheng, que escapou de prisão domiciliar há uma semana, está sob proteção dos EUA em Pequim, enquanto autoridades americanas e chinesas negociam o futuro do dissidente, informou ontem a entidade ChinaAid, uma das mais envolvidas no caso do advogado autodidata.

Representantes do governo americano em Pequim e Washington se recusaram a confirmar ou negar a presença de Chen na Embaixada dos EUA na capital chinesa e repetiram inúmeras vezes que não poderiam fazer comentários sobre o caso.

O também dissidente Hu Jia, amigo de Chen, disse estar convencido de que ele está na representação diplomática dos EUA. "Só há um lugar 100% seguro na China e é a Embaixada dos EUA", disse ontem ao Estado, enquanto aguardava para ser interrogado em uma delegacia de polícia sobre a fuga de Chen.

O caso será um fator de constrangimento e tensão no Diálogo Estratégico e Econômico que os dois países realizam em Pequim na semana que vem, com algumas das mais altas autoridades de ambos os lados. A representante de Washington nas conversas de caráter político será a secretária de Estado Hillary Clinton, que, em diversas ocasiões, pediu a libertação de Chen.

Hillary também luta para conseguir a colaboração dos chineses em uma série de temas globais de interesse dos EUA, como os programas nucleares da Coreia do Norte e do Irã e o violento conflito que se arrasta há meses na Síria.

Para a China, a fuga ocorre em um momento especialmente delicado, quando o Partido Comunista já enfrenta o escândalo de Bo Xilai, um dos principais dirigentes da legenda, que caiu em desgraça em uma trama que envolve abuso de poder, suspeita de homicídio e corrupção.

Os dois casos têm em comum o fato de os EUA terem sido involuntariamente implicados em assuntos politicamente sensíveis dentro da China. O escândalo de Bo Xilai só veio à tona depois que seu ex-braço direito, Wang Lijun, buscou refúgio no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, capital da Província de Sichuan.

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