Ativista foi espancado e ameaçado na China, diz Anistia

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) afirmou nesta sexta-feira, 20, que o ativista chinês Shi Fukui foi espancado e ameaçado de morte após denunciar a corrupção das autoridades locais.Segundo um comunicado, Shi e sua família estão desaparecidos. A AI teme por sua vida.Em 4 de abril, um funcionário da localidade de Tanhu, na província de Jiangs, entrou na casa de Shi. Ele surrou o ativista diante de sua mulher e de seu filho de 2 anos.O invasor ameaçou depois atacar o pai de Shi, de 82 anos, e o resto de sua família. Ele sugeriu que explicassem que os hematomas na cabeça do ativista e a surdez produzida pelos golpes tinham sido resultados de um acidente de trânsito.Shi Fukui ganhou fama ao se opor à multa de US$ 2 mil pelo nascimento de seu segundo filho. O valor teria de ser US$ 1.200.A China não permite mais de um filho por família há 20 anos. A política tenta conter o crescimento demográfico do país mais povoado do mundo.Shi também denuncia políticas abusivas em sua cidade, como a cobrança de supostos impostos ilegais dos camponeses, a corrupção na cobrança de matrículas escolares e abusos contra os operários.Prisões de ativistasA AI e a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenaram também a prisão de separatistas muçulmanos uigures. Para as duas entidades, os julgamentos foram "paródias" e os acusados sofreram maus-tratos e torturas.Hussein Celil, um uigur com passaporte canadense e estatuto de refugiado, foi condenado na quinta-feira, 19, à prisão perpétua por separatismo e terrorismo na região autônoma chinesa de Xinjiang.Dois dias antes, Ablikim Abdiriyim, filho de Rebiya Kadeer (uma das principais ativistas pró independência de Xinjiang), foi condenado a nove anos de prisão. Segundo a sentença, seu crime foi divulgar através da internet artigos que "distorcem as políticas da China sobre direitos humanos e minorias étnicas".A AI afirmou que o julgamento de Celil se baseou numa confissão que "pode ter sido extraída mediante tortura", como o próprio acusado denunciou durante a audiência.No caso de Abdiriyim, AI e RSF se queixaram da utilização de falsas provas para a condenação. A sentença alega que o ativista publicou dois artigos na versão uigur do site Yahoo!, que na realidade não existe.

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