AP/Anupam Nath
AP/Anupam Nath

Ativista indiana encerra greve de fome após 16 anos

Sharmila, que protestava contra uma lei que dá amplos poderes às forças de segurança, era alimentada à força por meio de sonda

O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2016 | 06h00

GUWAHATI, ÍNDIA - A ativista de direitos humanos indiana Irom Sharmila encerrou nesta terça-feira uma greve de fome de 16 anos contra uma lei do Exército que ela disse ter levado a atrocidades em seu Estado no nordeste da Índia, e prometeu continuar na luta entrando na política.

Em prantos, Sharmila encerrou seu jejum diante de repórteres pingando mel na boca. Ela disse que continuará a combater a lei, que dá amplos poderes para forças de segurança realizarem buscas, invadir propriedades e atirar no ato em partes do Estado remoto de Manipur.

"Nunca esquecerei este momento", disse ela em uma entrevista coletiva, ocasião em que pediu ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que anule a lei. "Sem esta lei draconiana você pode se conectar conosco, pode nos governar com afeição paternal, sem discriminação."

Conhecida como a Dama de Ferro de Manipur, Sharmila passou a maior parte dos últimos 16 anos hospitalizada e alimentada à força em obediência a uma custódia judicial. Tentativas de suicídio são um delito na Índia.

Ela iniciou sua greve de fome no ano 2000, depois que forças de segurança mataram dez pessoas perto de sua casa após um ataque rebelde contra um comboio militar. Seu longo protesto lhe angariou reconhecimento mundial e o grupo de direitos humanos Anistia Internacional a descreveu como uma prisioneira de consciência. / REUTERS

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