Ativista indiano anticorrupção diz estar pronto para o diálogo

O ativista indiano anticorrupção, cuja greve de fome levou milhões a promover os maiores protestos do país nas últimas décadas, se mostrou pronto a negociar no domingo para acabar com um impasse com o governo.

PAUL DE BENDERN E ANNIE BANERJI, REUTERS

21 de agosto de 2011 | 12h42

A declaração de Anna Hazare foi feita um dia após o primeiro-ministro Manmohan Singh dizer que o governo estava aberto para discutir as exigências do ativista de 74 anos, depois de ele ter sido preso no início desta semana.

Ao menos 50 mil pessoas se reuniram no domingo para apoiar Hazare, que exige uma lei anticorrupção.

Mas a insistência Hazare de que o governo apresente um projeto de lei na terça-feira e que o aprove até o final do mês provocou críticas de que seu grupo estaria ditando a política ao Parlamento eleito e pressionando para que ele negocie.

"Nós ainda não fechamos a porta do diálogo. Nós a mantivemos aberta. Somente por meio do diálogo as questões podem ser resolvidas," disse Hazare em um discurso na capital no sexto dia de seu jejum.

Os manifestantes gritavam "Anna, continue lutando, estamos com você."

A campanha Hazare conta com o apoio de milhões de indianos, especialmente as classes médias cansadas dos casos de subornos e de uma série de escândalos de corrupção que atingem políticos de alto escalão e empresários da terceira maior economia da Ásia.

Mas os críticos da greve de fome Hazare, que incluem a romancista e ativista Arundhati Roy, dizem que ele está criando um precedente ao tornar as instituições democráticas reféns.

"O perigo é que se nos livrarmos dessas instituições e dissermos que as discussões acontecerão fora do Parlamento, amanhã poder haver uma mobilização de um grupo extremista qualquer," disse Roy à CNN-IBN.

A organização de defesa dos direitos civis de Roy, Campanha Nacional pelo Direito à Informação (NCPRI), disse que vai apresentar o seu próprio projeto de lei contra a corrupção ao parlamento.

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