Ativista indiano encerra greve de fome

Anna Hazare, cuja prisão gerou protestos na Índia, marcou fim de protesto com evento público.

BBC Brasil, BBC

28 de agosto de 2011 | 13h39

O ativista indiano Anna Hazare encerrou neste domingo uma greve de fome que já durava 13 dias.

O Parlamento da Índia aceitou no sábado apoiar as exigências do ativista, que pede uma legislação mais severa contra casos de corrupção.

Hazare, que chegou a ser preso, marcou o fim da greve de fome aceitando um copo de água de coco de duas crianças, uma muçulmana e outra hindu.

Em frente a milhares de manifestantes em um parque de Nova Déli, Hazare descreveu o protesto como uma lição para o mundo e uma vitória para o povo indiano.

A campanha do ativista anticorrupção angariou amplo apoio na Índia e foi comparada à greve de fome de Mahatma Gandhi antes da independência do país.

No entanto, alguns críticos afirmam que os métodos de Hazare podem prejudicar a democracia parlamentar da Índia.

Ele iniciou o protesto exigindo a aprovação de medidas que permitam a investigação do premiê e de parlamentares quando acusados de corrupção.

O ativista, de 74 anos, perdeu sete quilos e rejeitou a recomendação médica de receber soro intravenoso para combater a desidratação.

Constituição

Em abril, o ativista cancelou uma outra greve de fome depois de quatro dias quando o governo disse que ele poderia a ajudar a redigir uma proposta de lei para criar um lokpal, ou seja, um órgão independente com o poder de investigar políticos e servidores públicos suspeitos de corrupção.

A versão final do projeto foi apresentada no início de agosto, mas Hazare e outros ativistas a rejeitaram, porque o premiê e juízes mais experientes ficariam livres da abrangência da nova lei.

Abrindo a sessão parlamentar deste domingo, o ministro da Economia indiano, Pranab Mukherjee, disse ao Parlamento em Nova Déli que a Índia estava "em uma encruzilhada".

O ministro afirmou que, se por um lado há apoio para as propostas de Hazare, a solução para o problema da corrupção tem que ser encontrada na Constituição da Índia.

O líder do partido do governo, Rahul Gandhi, afirmou que duvida que uma única lei vai acabar com a corrupção no país e agradeceu a Hazare por "ajudar as pessoas a articular este sentimento".

"Não há uma solução simples para erradicar a corrupção. Tenho grandes dúvidas de que uma única lei vai acabar com a corrupção. O que precisamos é de uma série de leis eficazes", disse.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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