Ativista mirim alvo do Taleban sofre nova ameaça

Médicos removeram ontem uma bala de uma adolescente de 14 anos atacada pelo Taleban porque fazia campanha pelo direito de meninas à educação. Segundo os médicos, o quadro da aluna, ferida na cabeça e no pescoço, é estável. Mas ela recebeu ontem novas ameaças.

KARACHI, PAQUISTÃO , O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2012 | 03h04

Em entrevista à BBC, Ehsanullah Ehsan, porta-voz dos taleban, reiterou as ameaças à vida da menina e disse que ela foi alvo do ataque por "promover o secularismo". Paquistaneses de diversas facções políticas e religiosas se uniram ontem para condenar o ataque a Malala Yousafzai, ocorrido na terça-feira.

No restante do país, paquistaneses reagiram com indignação ao ataque à garota, cuja defesa eloquente e determinada da educação de meninas fez dela um poderoso símbolo de resistência à ideologia taleban. "Malala é nosso orgulho. Ela se tornou um ícone para o país", disse o ministro do Interior, Rehman Malik.

O comandante do Exército, general Ashfaq Parvez Kayani, visitou o hospital de Peshawar onde Malala estava sendo tratada. Numa rara declaração pública, ele condenou a "ideologia deformada" dos "covardes" que a atacaram. Os pais da garota e um professor da escola permaneciam ao lado dela no hospital.

O astro do críquete e líder da oposição, Imran Khan, ofereceu-se para pagar o tratamento da jovem, enquanto dirigentes de seu partido rejeitaram a acusações de que estavam sendo lenientes com o Taleban.

A Jamaat-ud-Dawwa, a ala humanitária do grupo militante Lashkar-i-Taiba, que segue uma vertente do Islã diferente do Taleban, condenou o ataque. O governo manteve um jato da empresa aérea nacional Pakistan International Airlines de prontidão no aeroporto de Peshawar para levar Malala a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para um tratamento de emergência caso fosse necessário, embora algumas autoridades tenham dito que ela estava fraca demais para voar. / NYT

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