Ativista rejeita asilo e afeta relação EUA-China

De acordo com amigos e analistas, intenção de Chen Guangcheng de ficar no país causará constrangimento diplomático entre Washington e Pequim

Cláudia Trevisan,

01 Maio 2012 | 22h40

PEQUIM - A negociação sobre o futuro do ativista cego Chen Guangcheng está complicada por sua falta de disposição em deixar a China e buscar asilo político nos EUA. Amigos e ativistas que o ajudaram a fugir da prisão domiciliar há dez dias afirmam que ele quer ficar no país.

O exílio sob o pretexto de tratamento médico seria a saída mais simples, rápida e aceitável para as autoridades chinesas, disse Phelim Kine, pesquisador para a Ásia da Human Rights Watch. Também é a solução que deixaria os americanos em posição confortável. “Toda a situação se tornará muito mais complicada se ele decidir permanecer na China”, disse Bob Fu, presidente da ONG ChinaAid, que acompanha o caso. “Pelas informações que tenho, acredito que, no fim, ele aceitará ir para os EUA, desde que sua família possa acompanhá-lo.”

Para Chen, o asilo significará uma viagem sem volta e a separação permanente de amigos, família e da militância. “Se ele pedir asilo, é improvável que seja autorizado a voltar à China no futuro”, disse Kine. A decisão de Chen de ficar pode ser um pesadelo para Washington. Se ele sair da proteção americana, não há garantias de que não seja alvo de represálias. Além disso, existe a possibilidade de que ele volte a ser detido e mantido incomunicável, na mesma situação em que permaneceu nos últimos 19 meses. Em ano eleitoral, qualquer violência contra Chen depois de sua passagem pelo embaixada dos EUA será usada contra Barack Obama por seus opositores republicanos. “Ele já se transformou em tema eleitoral”, afirmou Kine.

Hu Jia, que participou da operação para a libertação de Chen, disse que o ativista nunca pensou em pedir asilo. “Ele foi à embaixada em busca de um lugar seguro para abrigar-se temporariamente”, disse Hu ao Estado. “Chen é uma pessoa livre e não há razão para o governo chinês estar furioso.” Outro envolvido no resgate, Guo Yushan, declarou que Chen não quer deixar o país. “Ele quer ficar na China e exigir reparação pelos anos de perseguição ilegal”, afirmou. O caso será um fator de constrangimento nas reuniões do Diálogo Estratégico e Econômico que China e EUA realizam a partir de amanhã em Pequim. A secretária de Estado, Hillary Clinton, desembarca hoje na capital chinesa para participar das reuniões, ao lado do secretário do Tesouro, Timothy Geithner.

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