Ativistas acusam Israel de assassinar pacifista

Um grupo de ativistas internacionais de apoio aos palestinos contestou a alegação do Exército israelense, de que uma manifestante norte-americana atropelada por uma escavadeira foi morta acidentalmente, e acusou os militares de a terem matado de propósito.O Movimento de Solidariedade Internacional informou que Rachel Corrie estava na linha de visão da pessoa que guiava o trator quando se colocou em sua rota, para evitar a demolição de um prédio palestino no campo de refugiados de Rafah."Quando a escavadeira recusou-se a parar ou desviar, ela subiu num monte de lixo e escombros acumulado em frente ao prédio, ficando de frente para o condutor, que continuou avançando", informou o grupo, por meio de um comunicado.O Exército de Israel garantiu que a morte de Corrie foi acidental. De acordo com os militares, as pequenas janelas do veículo restringiram a visão do condutor. Diversos pedidos da Associated Press para entrevistar o comandante israelense responsável pela região foram negados.Nesta segunda-feira, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, revelou ter entrado em contato com a família de Corrie para manifestar sua tristeza com a morte da jovem. "Nosso povo a abraça e oferece a ela nossas preces", declarou.O corpo de Corrie permanecia hoje no necrotério de um hospital palestino. Os pais da norte-americana estão a caminho de Rafah para cremá-la e realizar uma cerimônia em sua homenagem, disse Charles Smith, membro do Movimento de Solidariedade Internacional.No edifício da Organização das Nações Unidas (ONU) na Cidade de Gaza, cerca de 200 palestinos e estrangeiros participaram hoje de uma missa em homenagem a Corrie. Quatro jovens depositaram flores e uma foto da garota num túmulo vazio. Os participantes fizeram um minuto de silêncio.Em Rafah, um civil palestino de 43 anos assassinado pelos soldados israelenses logo após o atropelamento de Corrie foi sepultado nesta segunda-feira. Seguidores da procissão levaram um caixão vazio envolto em bandeiras dos Estados Unidos e da Palestina, para simbolizar a ativista atropelada.Smith, que testemunhou a morte da companheira, disse que tudo começou quando Corrie sentou em frente ao trator. O condutor então a cobriu com um monte de terra, soterrou-a e passou por cima duas vezes. Smith e Corrie trajavam roupas laranja fluorescente, com faixas brilhantes, e estavam devidamente identificados como estrangeiros.Por meio de um comunicado, o grupo pacifista relatou: "O trator começou a avançar de modo a colocá-la sob um monte de lixo e escombros. Depois de ela desaparecer da visão do condutor, ele continuou avançando até deixar todo o veículo sobre ela."No passado, manifestantes conseguiram impedir o trabalho das escavadeiras sentando na frente delas, comentou Smith.Corrie foi socorrida com vida e morreu ao dar entrada no hospital.

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