Khalil Hamra/AP
Khalil Hamra/AP

Ativistas cercam Parlamento egípcio durante discurso de premiê

Conselho consultivo analisa proposta para realizar eleições presidenciais em maio

REUTERS

31 de janeiro de 2012 | 18h06

CAIRO - Milhares de manifestantes se concentraram junto ao Parlamento do Egito nesta terça-feira, 31, para exigir o fim imediato do regime militar no país, e alguns manifestaram sua insatisfação com a Irmandade Muçulmana, acusando-a de estar a serviço dos generais.

 

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Dentro do prédio, o primeiro-ministro Kamal Ganzouri, nomeado pela junta militar, falou pela primeira vez ao novo Parlamento, e ouviu críticas de deputados pelo ritmo lento das reformas no país, um ano depois da rebelião que derrubou o presidente Hosni Mubarak.

A Irmandade Muçulmana, por intermédio do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), controla quase metade do recém-empossado Parlamento. Militantes juvenis do grupo formaram um cordão humano na rua para evitar que os manifestantes se aproximassem do prédio.

"O povo quer a queda da Irmandade", gritavam os ativistas, adaptando um refrão geralmente usado contra os militares que assumiram o poder depois da derrubada de Mubarak. O Exército também foi alvo das palavras de ordem.

O protesto reflete a crescente frustração dos jovens ativistas que se aglutinaram na revolução contra Mubarak, mas que posteriormente viram os políticos islâmicos capitalizarem as mudanças políticas ao conquistarem a maioria das cadeiras parlamentares na primeira eleição livre do Egito em várias décadas.

Haitham Saleh, de 26 anos, filiado PLJ que estava em frente ao Parlamento, defendeu a Irmandade. "Queremos o que os manifestantes querem. Uma rápida transferência do poder e o fim do regime militar. Líderes da Irmandade e parlamentares já disseram isso em muitas entrevistas."

O Exército promete entregar o poder aos civis até o final de junho, e um conselho consultivo nomeado pelos generais está analisando uma proposta que poderia levar à realização de eleições presidenciais em maio. Ativistas suspeitam, no entanto, que os militares pretendem manter seu poder nos bastidores depois disso.

Entre os deputados recém-empossados estão membros da Irmandade que estiveram presos na época de Mubarak, quando o grupo estava proscrito. Naquele período, políticos da Irmandade ocupavam poucas vagas no Parlamento, eleitos como "independentes".

"Devo dizer que esta assembleia é nova em tudo. Glória a Deus. Vejo rostos aqui hoje que são muito diferentes dos rostos de antes", disse Ganzouri.

Ditando um tom completamente diferente de legislaturas anteriores, dominadas por partidários de Mubarak, sucessivos deputados foram à tribuna para questionar Ganzouri pela demora nas reformas.

"Entendemos que o governo está enfrentando uma missão difícil em um momento difícil, mas o governo deve saber que não iremos descansar até que uma real retaliação (a membros do antigo regime), com julgamentos reais, aconteça", disse Essam el-Erian, dirigente do PLJ.

O Parlamento decidiu que em suas primeiras sessões realizará um inquérito sobre a violência ocorrida durante a revolução, para que se faça justiça para os feridos e as famílias dos mortos.

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