Ativistas de Santa Cruz convocam greve de fome contra Evo

Entidades civis do departamento boliviano de Santa Cruz conclamaram seus moradores a fazer greve de fome para contrabalançar o poder do presidente Evo Morales na Assembléia Constituinte, que está escrevendo uma nova Constituição nacional. O diálogo entre governo e oposição fracassou mais uma vez em uma reunião realizada na quinta-feira. As partes não conseguiram chegar a um consenso para negociar temas polêmicos, sobretudo a fórmula de aprovação da nova Carta Magna. O estopim da crise política que atinge a Bolívia foi a decisão de Evo de permitir que a Assembléia Constituinte aprove os artigos da nova Carta Magna por maioria simples (a situação tem 137 dos 255 assentos), ao invés dos dois terços exigidos pela lei atual. Em meio à queda-de-braço, dois dos departamentos mais ricos do país, Santa Cruz e Beni, ameaçaram convocar um referendo para questionar a nova Constituição. A temperatura do ambiente político havia se elevado depois que o líder do centrista partido Unidade Nacional (UN), Samuel Dória Medina - que está há uma semana em greve de fome -, acusou o partido oficialista, Movimento Ao Socialismo (MAS), de fraudar a votação dos critérios de aprovação de projetos. Dória Medina afirmou que muitos dos delegados que figuram entre os votantes não estiveram naquele dia em Sucre, sede da Constituinte. Os representantes da Assembléia de Santa Cruz, entidade que reúne organizações civis da província no leste boliviano, declararam uma greve de fome a partir desta sexta-feira. Com o apelo da entidade, acredita-se que muitos deverão aderir à greve de Medina. Disputas Caso não cheguem a um acordo com o governo, os oposicionistas de Santa Cruz podem retirar seus delegados da Assembléia Constituinte e realizar o referendo contra "este projeto unilateral de Constituição", disseram eles. O presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Germán Antelo, disse que a oposição se reunirá na segunda-feira para deliberar sobre uma greve geral que poderia incluir outros departamentos. Já o departamento de Beni decidiu que retirará imediatamente os seus representantes do Congresso, mas manterá seus delegados para defender, na Assembléia, a proposta de aprovação da nova Carta por dois terços dos votos. O presidente do Comitê Cívico do Departamento, Alberto Melgar, disse à BBC que a oposição começará a recolher assinaturas para um referendo sobre a nova Constituição. Por outro lado, o departamento de Tarija, onde estão os maiores recursos do gás boliviano, deu prazo até a terça-feira para que o governo volte atrás na sua fórmula de aprovação. Pressões Apesar do diálogo, as medidas de pressão sobre o governo de Evo não cessaram. Nesta semana, as bancadas da oposição deixaram o Senado e boicotaram o quorum da votação sobre a lei de reforma agrária impulsionada pelo partido oficialista. O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, disse que não aceitaria "uma ditadura das minorias". Outra reunião entre governo e oposição está marcada para o sábado.

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