Ativistas denunciam estupro de mais de 200 congolesas

Gangues de insurgentes congoleses e ruandeses estupraram mais de 200 mulheres e até bebês durante quatro dias em Luvungi, perto da uma base das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), no leste da República Democrática do Congo, disseram hoje o trabalhador humanitário norte-americano Will F. Cragin, dos Corpos Médicos Internacionais, e o médico congolês Kasimbo Charles Kacha, chefe distrital médico da região.

AE-AP, Agência Estado

23 de agosto de 2010 | 18h33

Cragin contou que trabalhadores e soldados da ONU sabiam que os insurgentes haviam ocupado Luvungi e os vilarejos vizinhos no leste do Congo um dia após o ataque ter começado em 30 de julho. Mais de três semanas depois do inicio das atrocidades, a missão da ONU não emitiu nenhum comunicado e informou hoje que ainda investiga os crimes.

O norte-americano disse à agência de notícias Associated Press que sua organização conseguiu apenas entrar na cidade, que fica a 16 quilômetros de uma base militar da ONU, após os insurgentes terem finalizado sua onda de estupros e saques e se retirado da cidade no dia 4 de agosto.

Charles Masudi, líder da organização Sociedade Civil, afirmou que existiam apenas 25 soldados da ONU perto de Luvungi e que eles fizeram o que puderam contra uma força estimada entre 200 e 400 insurgentes, que ocupou a cidade de 2.200 moradores e cinco vilarejos vizinhos.

"Quando os 25 soldados se aproximavam de um vilarejo, os insurgentes fugiam para a floresta, mas então quando eles precisavam partir para outro, eles voltavam", disse Masudi. Cragin contou que não ocorreram tiroteios, combates e mortes, apenas "saques e estupros generalizados das mulheres". Quatro bebês meninos também foram estuprados, disse Kasimbo Charles Kacha.

"Muitas mulheres disseram que foram estupradas nas suas casas, na frente dos filhos e maridos, por três a seis homens", afirmou Cragin. Trabalhadores locais e internacionais de saúde disseram que 179 mulheres receberam tratamento médico, mas que o número de agredidas pode ser muito maior, já que várias pessoas fugiram para a floresta.

O estupro como arma de guerra tem sido amplamente usado no leste do Congo, onde pelo menos 8.300 foram reportados no ano passado, de acordo com as Nações Unidas. Acredita-se que o número de estupros não informados seja muito maior.

Grupos insurgentes

As vítimas do ataque a Luvungi disseram que os agressores eram insurgentes ruandeses das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), um grupo criminoso que participou do genocídio dos tutsi em Ruanda em 1994 e depois fugiu para o Congo (ex-Zaire). Segundo as vítimas, insurgentes congoleses Mai-Mai também participaram do ataque.

O governo do Congo pediu no começo deste ano a retirada da missão dos soldados das Nações Unidas, que atualmente é a maior força de paz da ONU no mundo, com 20 mil homens, dizendo que ela fracassou em sua missão primordial, que era a defesa dos civis no leste congolês.

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