Ativistas franceses são impedidos de viajar para Israel

Autoridades israelenses enviaram lista com quase 400 nomes de ativistas a companhias aéreas

AE, Agência Estado

07 de julho de 2011 | 12h52

PARIS - O francês Philippe Arnaud disse que ele e mais sete ativistas pró-palestinos foram impedidos de viajar para Israel, onde pretendiam participar do que chamaram de missão de paz na Cisjordânia. Policiais foram enviados nesta quinta-feira, 7, para o aeroporto internacional de Israel, antecipando-se à chegada de centenas de ativistas ao país.

Arnaud afirmou que tentou embarcar em um voo da Malev Airlines no aeroporto parisiense Charles de Gaulle Airport para Tel-Aviv, com escala em Budapeste.

 

Segundo ele, a companhia aérea se recusou a permitir sua entrada e a de outros ativistas na aeronave, além de mostrar a eles uma lista apresentada pelas autoridades israelenses com quase 400 nomes de pessoas que não devem embarcar para Israel. A autoridade aeroportuária francesa não comentou o incidente. Não foi possível entrar em contato com funcionários da Malev em Paris.

Segurança

O governo israelense se preparava hoje para a possível chegada em breve de centenas de manifestantes pró-palestinos, no principal aeroporto do país. Uma flotilha que partiria rumo à Faixa de Gaza, tentando romper o bloqueio israelense, acabou bloqueada pela Grécia.

 

Os organizadores da campanha "Bem-Vindo à Palestina" afirmam que 600 ativistas ou mais, mais da metade deles franceses, devem voar para passar uma semana visitando famílias palestinas e têm "intenções totalmente pacíficas".

As autoridades israelenses, porém, parecem prontas para confrontos, com centenas de policiais de prontidão no aeroporto. Há relatos na imprensa sobre possíveis cenários desastrosos, como ativistas ateando fogo a seus próprios corpos ou atacando israelenses em voos chegando ao país.

 

"Há uma forte presença policial no aeroporto e no entorno, para evitar qualquer distúrbio", afirmou hoje o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld à France Presse.

Bloqueio na Grécia

Os organizadores da flotilha de dez barcos queriam zarpar rumo a Gaza, desafiando o bloqueio israelense. Entretanto a única embarcação que havia rompido o bloqueio grego até então acabou detida pela Guarda Costeira da Grécia em Creta nesta quinta-feira, quando reabastecia.

 

Segundo um ativista, Claude Leostic, o barco foi barrado com vários argumentos administrativos. O iate francês havia partido de um porto grego na terça-feira.

Outros oito barcos com centenas de ativistas de vários países estão atualmente impedidos de zarpar. Uma embarcação irlandesa foi sabotada, segundo os organizadores, e está no conserto na Turquia. A flotilha partiria na semana passada. Atenas diz que agiu pela "segurança" dos ativistas. No ano passado, militares israelenses atacaram outra flotilha, matando nove ativistas turcos, um deles também cidadão norte-americano.

Com a iniciativa da flotilha barrada, Israel esperava a chegada de centenas de ativistas em aviões. A expectativa é que os ativistas cheguem pelo aeroporto Ben Gurion, perto de Tel-Aviv, na sexta-feira, demonstrando solidariedade aos palestinos.

A imprensa israelense sugeriu que todos os voos vindos da Europa serão direcionados para um terminal separado, e os passageiros cuidadosamente avaliados. O popular jornal Yediot Aharonot criticou a ação oficial, dizendo que os visitantes deveriam ter o direito de se manifestar, porém as autoridades se preparavam para reprimi-los, o que seria malvisto internacionalmente, segundo um comentarista do diário. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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