Ativistas gays festejam votação nos EUA

Militantes e artistas comemoram decisão do Senado de permitir homossexuais assumidos nas Forças Armadas

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2010 | 00h00

Organizações de defesa dos direitos de gays e lésbicas, autoridades do governo e celebridades dos EUA comemoraram ontem a autorização para homossexuais assumidos servirem às Forças Armadas dos EUA. Considerada uma mudança histórica no país, a medida foi aprovada no sábado pelo Senado e se tornará lei nesta semana com a assinatura do presidente americano, Barack Obama, um dos principais defensores do projeto.

O aval do Senado foi obtido graças a um sisudo senador democrata e a oito republicanos que viraram casaca na última hora. "Esse voto representa um passo histórico para o país e provavelmente será um momento de mudança de vida para as tropas de gays e de lésbicas", afirmou Alexander Nicholson, diretor executivo da Service Members United, principal organização americana em defesa dos direitos de homossexuais veteranos e ativos nas Forças Armadas.

O secretário de Defesa, Robert Gates, afirmou não antever problemas nas tropas com o ingresso de gays assumidos. "Estou convencido que os EUA podem acomodar e aplicar essa mudança com sucesso, assim como fizemos em outros casos", declarou. "É tempo de corrigir um erro e alinhar os militares com os melhores valores americanos" afirmou o senador independente Joseph Lieberman.

A iniciativa foi igualmente comemorada por outros defensores bastante distantes da política e do serviço militar.

Musa da comunidade gay e ativista pelos direitos dos militares homossexuais, Lady Gaga afirmou que não pôde conter as lágrimas e disse estar "orgulhosa de ser americana", em mensagem no Twitter. Já Ricky Martin celebrou a iniciativa como um "passo para a igualdade" e resultado de uma "histórica" votação. A comediante Ellen Degeneres agradeceu aos senadores.

Reeleito por uma margem estreita em novembro, por Nevada, o senador Harry Reid tornou-se uma espécie de campeão da causa dos militares gays dos EUA. Líder da maioria democrata, ele articulou a inclusão na pauta de votação do Senado do projeto para extinguir a lei "Não pergunte, Não conte", de 1993. A legislação permitia presença de gays nas Forças Armadas apenas se eles não fossem identificados como tal - em 17 anos, provocou a expulsão de mais de 14 mil militares americanos. Reid foi o responsável por persuadir oito republicanos a votar com os democratas e a Casa Branca nesse tema, o que permitiu o placar de 65 votos contra 31. No dia da votação, recebeu um especial agradecimento da Service Members United.

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