Ativistas incentivam negros a participar de eleições municipais

Baixa participação de afro-americanos nas votações regionais explica pequenarepresentação na cidade

FERGUSON, EUA, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2014 | 02h01

Entre palavras de ordem e marchas pelas ruas de Ferguson, líderes dos protestos contra a morte de Michael Brown tentam convencer a população a votar nas eleições locais para mudar a dinâmica que atribui poder aos brancos em uma cidade na qual dois terços dos moradores são afro-americanos.

A participação de negros nas eleições é um dos fatores que permitem a representação desproporcional dos brancos no comando de Ferguson. Apesar de 67% da população ser negra, o prefeito e cinco dos seis vereadores são brancos. Nas eleições municipais de 2013, apenas 6% dos eleitores negros votaram, um terço do índice registrado entre os brancos. Em razão disso, os brancos responderam por 52% do eleitorado, segundo levantamento do jornal Washington Post.

A participação nas eleições locais de Ferguson é fraca em razão de ocorrerem em anos ímpares, quando não há disputas presidenciais ou para o Congresso. A última votação ocorreu em abril de 2013.

Para tentar mudar o cenário, estudantes montaram barracas para o registro de eleitores em Ferguson e tentam convencer os moradores a participar das votações. "Nós precisamos de justiça, mas precisamos muito mais do que isso", disse Aleidra Allen, de 25 anos, uma das defensoras do maior ativismo eleitoral.

O prefeito de Ferguson, James Knowles, disse que sua administração estuda maneiras de ampliar a contratação de negros para a polícia local - de seus 53 integrantes, 50 são brancos. "Não contratamos um policial a cada ano", ressaltou. "Cada vez que contratamos, tentamos encontrar um oficial afro-americano. Estamos comprometidos a trabalhar com outros para solucionar esse problema." / C.T.

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