Samuel Aranda/NYT
Samuel Aranda/NYT

Ativistas pedem fim de mutilação genital feminina em Serra Leoa após morte de jovem em procedimento

Nove em cada 10 mulheres e adolescentes são vitimadas no país, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância

O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2016 | 14h54

DACAR - A morte de uma jovem de Serra Leoa durante um procedimento de mutilação genital feminina (FGM, na sigla em inglês), realizado por uma sociedade secreta administrada por mulheres, deveria levar a nação do oeste africano a proibir a prática, disseram nesta quinta-feira, 18, ativistas anti-FGM.

Fatmata Turay, de 19 anos, morreu no início desta semana após ser submetida a uma FGM como parte dos ritos de iniciação para ser admitida na Bondo, uma sociedade poderosa que realiza o procedimento e que exerce uma influência política considerável, de acordo com vários ativistas.

Três integrantes da sociedade Bondo e uma enfermeira foram presas. Grupos de direitos humanos que fazem campanha contra a FGM, incluindo o Forward e o Equality Now, exortaram Serra Leoa a realizar uma investigação minuciosa sobre a morte de Fatmata e a proibir a prática.

Serra Leoa tem uma das taxas mais altas de FGM no mundo: 9 de cada 10 mulheres e adolescentes são vitimadas, de acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês).

"Esta é uma morte desnecessária, muitas vidas são arruinadas pela FGM", disse Adwoa Kwateng-Kluvitse, do Forward, acrescentando que não está claro quantas mulheres e meninas morrem em decorrência da FGM em Serra Leoa. "Há muitas meninas em áreas rurais que podem ter morrido e sido enterradas sem que ninguém tenha tomado conhecimento", acrescentou.

A estimativa é 140 milhões de mulheres e meninas sejam afetadas pela FGM em uma faixa da África e em partes do Oriente Médio e da Ásia, e é vista como um caminho para o casamento e uma forma de preservar a pureza. O procedimento envolve a remoção da genitália externa e causa diversos problemas de saúde que podem ser fatais.

Embora a FGM seja legal em Serra Leoa, uma proibição do governo aplicada durante o surto de ebola e adotada como parte de uma iniciativa de erradicação do vírus ainda está em vigor.

Em 2015, Serra Leoa se tornou uma das últimas nações do oeste africano a ratificar o Protocolo de Maputo, que trata de uma série de temas que incluem a FGM, a violência contra as mulheres, casamentos infantis e forçados e o poder econômico feminino.

"Não podemos nos dar ao luxo de continuar a deixar meninas morrerem e sofrerem discriminação e violência extrema em razão da FGM", disse Mary Wandia, da Equality Now. Nigéria e Gâmbia proibiram a prática em 2015, mas a mutilação genital ainda é legal na Libéria, no Mali e em Serra Leoa. / Reuters

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