Ativistas pró-Rússia rejeitam anistia oferecida pelo governo ucraniano

Oferta foi feita um dia após Kiev dar ultimato para que manifestantes desocupem prédios públicos

O Estado de S. Paulo,

10 de abril de 2014 | 22h48

LUHANSK, UCRÂNIA - Separatistas armados pró-Rússia que ocuparam prédios públicos na cidade ucraniana de Luhansk, no leste, rejeitaram na quinta-feira, 10, a oferta de anistia do governo interino. Eles conclamaram outros ativistas a se juntar ao grupo em desafio às autoridades pró-Europa, em Kiev.

Os manifestantes usavam coletes à prova de balas e portavam armas, como rifles Kalashnikov, pistolas, entre outras, dentro do prédio do serviço de segurança, uma antiga sede da KGB (antigo serviço secreto soviético). Eles disseram que só entregariam as armas se Kiev concordasse em realizar um referendo sobre o futuro status da região.

Manifestantes exibem bandeiras e cartazes pró-Rússia em Odessa. (Foto: Yevgeny Volokin/Reuters)

A oferta de perdão havia sido feita pelo presidente interino, Oleksandr Turchinov, para os ativistas pró-Rússia de Luhansk e de outras cidades do leste e do sul que também tiveram prédios administrativos ocupados. "Garantimos que não haverá perseguição judicial contra os que entregarem as armas e abandonarem os edifícios", disse Turchinov em um discurso no Parlamento.

O presidente interino acrescentou que estava disposto a assinar um decreto sobre o assunto, respondendo assim à exigência do grupo parlamentar do Partido das Regiões (PR), que quer aprovar uma anistia para os participantes dos protestos. Os deputados do PR ameaçaram boicotar a sessão parlamentar se a reivindicação não fosse atendida.

A promessa foi feita um dia depois de o primeiro-ministro interino, Arsen Avakok, dar um ultimato aos manifestantes, dizendo que a situação seria resolvida até sexta-feira ou o governo usaria a força, se necessário, para desocupar os prédios.

Os ativistas, porém, deram prova de que não vão ceder. Em Donetsk, eles ocupam um prédio administrativo e reivindicam a criação da República de Donetsk. Cerca de 1.500 manifestantes permaneciam do lado de fora em solidariedade aos separatistas.

Tanto em Luhansk como em Donetsk, os manifestantes reforçaram as barricadas ao redor dos prédios e voltaram a pedir ajuda ao presidente russo, Vladimir Putin, depois do alerta do governo ucraniano.

Em Odessa, ativistas vestidos com fardas do antigo Exército soviético marcharam pelas ruas e gritavam frases pró-Rússia. Em Kharkiv, os separatistas desocuparam prédios na quarta-feira, mas nesta quinta ainda continuavam mobilizados nas ruas.

A presença de dezenas de milhares de tropas russas próximas da fronteira da Ucrânia, registrada em uma imagem de satélite divulgada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), fez aumentar os temores de uma intervenção militar na crise.

O secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, disse que os 40 mil militares ao longo da fronteira "não estavam treinando, mas prontos para o combate". Ele pediu que a Rússia recue suas tropas para dar início a um diálogo sobre a crise.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, acusou a Otan de usar a crise na Ucrânia para aumentar seu apelo junto a seus membros e justificar sua existência, reunindo-os contra uma "ameaça imaginária". Para a chancelaria, as declarações de Rasmussen "são provocadoras".

Gás. Rússia, EUA, Ucrânia e União Europeia devem se reunir na próxima quinta-feira para tentar negociar um fim para a crise na Ucrânia. A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama conversou, por telefone, com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Esta semana, Putin enviou uma carta aos líderes europeus sobre a "situação crítica" das dívidas ucranianas pela aquisição de gás natural da Rússia. Ele alertou para um possível impacto para a Europa, já que a Rússia é o principal fornecedor de gás natural para o continente.

A estatal russa Gazprom parou de enviar gás à Ucrânia durante disputas de preço, nos invernos de 2005 e 2008, o que levou à redução da oferta para os países europeus que recebem gás russo via dutos que cruzam a Ucrânia. A Gazprom diz que a Ucrânia deve US$ 2,2 bilhões e deixou de pagar suas contas em março. / REUTERS e EFE

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