MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Órgão da ONU é acusado de abafar caso de assédio sexual

Investigação contra o brasileiro Luiz Loures, vice-diretor da UNAids e um dos responsáveis pela política de combate a doença no mundo, foi encerrada por 'não estar substanciada'; ONG acusa organização de não permitir investigação transparente e abafar o caso

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 14h55

GENEBRA - O diretor executivo da Unaids, Michel Sidibé, tentou abafar o caso de assédio sexual de seu vice-diretor, o brasileiro Luiz Loures, indicam documentos confidenciais do processo conduzido por um órgão de fiscalização da Organização Mundial da Saúde (OMS). Loures é um dos brasileiros com cargo mais alto na ONU. 

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Nesta terça-feira, 6, ativistas protestaram contra o arquivamento da denúncia. Na semana passada, a Unaids anunciou que encerrava a investigação, argumentando que as denúncias “não estavam substanciadas”. No site oficial da Unaids, o médico brasileiro é descrito como um dos pioneiros no tratamento da aids no mundo. 

Procurado pelo Estado, Loures informou por meio da assessoria que não se pronunciaria. O caso de assédio teria ocorrido em maio de 2015, num hotel na Tailândia. 

O brasileiro teria assediado uma mulher dentro de um elevador. Ela o acusa de fazer comentários sobre sua aparência desde 2011. 

Segundo o processo, obtido pelo Estado, os investigadores da OMS se disseram “perplexos” com a tentativa de Sidibé de acabar com a investigação ainda em andamento. 

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Em março de 2017, a mulher teria sido chamada para encontrá-lo em Estocolmo para dizer que Loures gostaria de “pedir desculpas pelo que fez”. Sidibé foi questionado em 20 de outubro pelos investigadores do caso e declarou que Loures nunca solicitou que ele falasse com a vítima. 

Imagem. Sidibé confirmou que sugeriu uma reunião com os três para “resolver o problema” e não prejudicar a imagem da agência. Os investigadores ficaram surpresos com a tentativa de abafar o caso, mas encerraram a investigação por “falta de evidências”. 

Nos documentos, Loures nega que tenha pedido desculpas, mas confirmou que sabia que o chefe da Unaids havia falado com a vítima. Numa pesquisa de 2017, 23 entre 427 funcionários disseram ter sido vítimas de assédio sexual na Unaids.

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