Shams News Network/AP Photo
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Ativistas relatam dois novos ataques químicos na Síria

Damasco acusa radicais islâmicos de usar gás de cloro em bombardeios que mataram 2 pessoas e deixaram mais de 100 feridos

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2014 | 02h01

BEIRUTE - Ativistas sírios denunciaram ontem dois novos ataques com armas químicas. Um teria ocorrido em Harasta, na periferia de Damasco, e outro em Kafr Zita, na Província de Hama. O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), grupo opositor com sede em Londres, citou fontes médicas de um hospital de Kafr Zita que confirmaram o atendimento de casos de asfixia e intoxicação após um bombardeio na sexta-feira.

Ativistas sírios postaram ontem na internet vídeos dramáticos de pacientes, muitas mulheres e crianças, sendo atendidos em hospitais com muita dificuldade para respirar. De acordo com fontes ouvidas pela OSDH, uma espessa nuvem de fumaça se espalhou pela cidade após um ataque aéreo.

A OSDH, que trabalha com uma vasta rede de voluntários dentro do território sírio, acrescentou que, em Harasta, várias pessoas também tiveram sintomas de asfixia após outro bombardeio semelhante, que teria sido feito por forças do regime. Ativistas locais disseram à organização que soldados do governo teriam empregado um gás tóxico.

A Coalizão Nacional Síria (CNS), principal aliança opositora, disse em comunicado que foi usado um gás tóxico com uma alta concentração de pesticidas no ataque em Harasta. Segundo a CNS, o bombardeio causou a morte de um número indeterminado de civis.

O governo de Assad confirmou os ataques, mas acusou a Frente Al-Nusra, facção radical islâmica que combate o regime de Assad e tem laços com a rede terrorista Al-Qaeda, de responsabilidade pelos bombardeios.

De acordo com Damasco, o material usado seria o gás de cloro, que causa bloqueio pulmonar. O ataque teria matado duas pessoas e deixado mais de cem feridos, segundo o governo. A TV estatal afirmou que os rebeldes estariam planejando um novo ataque, desta vez na Província de Idlib.

Desarmamento. No dia 9, o presidente da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), Ahmed Uzumcu, anunciou que em "maio ou junho" a Síria poderá ser declarada um país livre de armas químicas, faltando para isso algumas verificações e o envio dos últimos carregamentos de material químico para serem destruídos no exterior.

Em setembro, o regime sírio aceitou destruir seu arsenal químico após um acordo com EUA e Rússia que evitou uma intervenção militar americana na Síria depois de um bombardeio com armas químicas em um subúrbio de Damasco, em agosto de 2013.

O ataque teria matado cerca de 1,4 mil pessoas. Washington acusou o regime de Damasco de estar por trás do bombardeio, o que foi negado pelas autoridades sírias. Ontem, combates convencionais entre rebeldes e forças de Assad mataram 45 pessoas em várias regiões do país. / REUTERS, AP e EFE

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