Ativistas retomam protestos durante visita de Gambari a Mianmar

Visita deveria acabar nesta quinta, mas emissário da ONU admite ampliar para conseguir resultados melhores

Efe,

08 de novembro de 2007 | 01h29

Novos grupos de ativistas a favor da democracia começaram a realizar pequenos atos de protesto em um novo desafio à Junta Militar de Mianmar, onde o emissário da ONU, Ibrahim Gambari, prossegue com a sua agenda de contatos. A organização Generation Wave distribui há vários dias panfletos antigovernamentais em Rangun. O objetivo é reavivar o espírito de liberdade das manifestações lideradas pelos monges budistas no fim de setembro, informou nesta quarta-feira, 7, a emissora de rádio Mizzima. Os membros do grupo distribuem no centro da maior cidade do país panfletos com as siglas "CNG" (em inglês, "Change to New Government", "Mudança para Novo Governo") e "FFF" ("Freedom From Fear", "Libertação do Medo"). Em outros folhetos há poemas de Min Ko Naing, um ativista que participou das últimas manifestações e também dos protestos de 1988, e está preso desde meados de outubro. Além disso, o Comitê Coordenador do Movimento Popular de Rangun queimou exemplares do jornal Myanma Ahlin, um dos órgãos de propaganda do regime. As cercas de algumas casas receberam cartazes com o lema "Than Shwe é um mentiroso", numa referência ao chefe da Junta Militar. O grupo Lutadores Pela Liberdade optou por pendurar roupas de religiosos budistas em lugares públicos, para que a população não esqueça os monges que lideraram os protestos reprimidos pelas forças de segurança. Enquanto isso, Gambari continuará nesta quinta-feira, 8, a sua série de reuniões na capital, Napydaw. Na quarta-feira, ele pretendia se encontrar com o líder oposicionista e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, sob prisão domiciliar desde 2003, mas não conseguiu. O enviado especial das Nações Unidas informou o adiamento aos diplomatas estrangeiros credenciados em Mianmar. Gambari, em princípio, concluiria nesta quinta-feira a sua visita. Mas ele admite ampliar a sua estadia no país para tentar conseguir resultados satisfatórios na missão dada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Até agora a Junta Militar negou um encontro tripartite com Suu Kyi e o ministro do Trabalho, Aung Kyi, elo entre a oposição e o regime. Gambari também ainda não sabe se poderá se reunir com Than Shwe, como fez na sua última visita ao país. O diplomata nigeriano conversou com ministros, membros de grupos étnicos e representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

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