Ativistas são presos no Irã; total de mortos vai a 8

Forças de segurança do Irã invadiram hoje vários escritórios de opositores do governo e detiveram pelo menos sete ativistas durante uma nova ofensiva contra o movimento reformista. A informação foi divulgada por ativistas e sites do movimento. O total de mortos também pode ter aumentado. Sites de oposição ao governo e testemunhas disseram que cinco pessoas foram mortas. Já a televisão estatal, citando o Conselho Supremo de Segurança Nacional, disse que os mortos foram oito.

AE-AP, Agencia Estado

28 de dezembro de 2009 | 10h41

As prisões de hoje ocorreram um dia depois das passeatas contra o governo. O site Parlemannews diz que três importantes auxiliares do líder Mir Moussavi foram presos, dentre eles seu principal conselheiro, Ali Riza Beheshti. As forças de segurança também invadiram uma fundação administrada pelo também reformista e ex-presidente Mohammad Khatami e detiveram duas pessoas, disse um funcionário em condição de anonimato. A Fundação Baran trabalha para promover o diálogo entre civilizações.

O ex-ministro do Exterior, Ebrahim Yazdi, e o ativista dos direitos humanos Emad Baghi também teriam sido detidos, segundo o site Rah-e-Sabz. Yazdi, que foi ministro do Exterior após a revolução de 1979 é atualmente o líder do proscrito, porém tolerado, Movimento pela Liberdade do Irã. As prisões não puderam ser confirmadas de forma independente.

O derramamento de sangue, um dois piores dos últimos meses, foi condenado por um líder opositor, que comparou o governo ao regime que foi derrubado pela Revolução Islâmica três décadas atrás. Os acontecimentos desta segunda-feira devem aprofundar o antagonismo entre o governo e o movimento reformista.

Mahdi Karroubi, líder opositor que concorreu nas eleições de junho, publicou uma declaração num site opositor perguntando como o governo pôde derramar sangue de seu próprio povo no dia da comemoração xiita da Ashura. Ele disse que até mesmo o governo do xá respeitava o dia sagrado.

"O que aconteceu para que (o governo) derramasse o sangue das pessoas no dia da Ashura e fizesse que um grupo de indivíduos selvagens entrasse em confronto com o povo?", disse ele ao site Rah-e-Sabz. O xá, que foi deposto em 1979, era bastante odiado. Comparar um rival ao xá é um insulto sério, embora comum, na política iraniana.

Tudo o que sabemos sobre:
Irãprotestosrepressãooposição

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.