Ativistas são presos por convocar protestos na China

A polícia emitiu acusações de subversão contra vários importantes ativistas da China que convocaram protestos similares aos do Oriente Médio e norte da África no país asiático. Grupos pelos direitos humanos afirmam que a ação oficial parece ser uma dura repressão aos dissidentes no país. Mais de cem ativistas foram interrogados, colocados em prisão domiciliar e alvos de outras restrições, ou mesmo desapareceram desde as convocações para manifestações na China na semana passada, afirmou a organização não-governamental (ONG) Chinese Human Rights Defenders.

AE, Agência Estado

25 de fevereiro de 2011 | 10h19

A polícia agora começa a apresentar acusações contra os ativistas, disse hoje em comunicado uma diretora da ONG, Renee Xia. "Os números apontam para uma situação ruim que está se tornando pior", afirmou ela. Segundo Xia, nos últimos dias houve vários casos de advogados vítimas de "prolongadas desaparições", processos criminais que podem resultar em longas penas de prisão, revistas policiais em suas casas e outras medidas.

O importante escritor Ran Yunfei e Liang Haiyi estavam entre os acusados por subversão. Os veteranos dissidentes Ding Mao e Chen Wei - ambos presos após os protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial - foram acusados por incitar a subversão, afirmou a ONG sediada em Hong Kong. Um quinto ativista, Hua Chunhui, foi preso por "vazar segredos de Estado", uma acusação vaga geralmente usada na China para calar a dissidência.

"Há sinais indicando que a atual repressão pode ser uma das piores ações tomadas pelo governo contra ativistas chineses nos últimos anos", afirma o comunicado. Na China comunista, acusações de subversão, incitação à subversão e de vazar segredos de Estado quase sempre resultam em condenação, disse o grupo. A ONG sediada em Nova York Human Rights in China descreveu a repressão como uma ds piores dos últimos anos no país.

Ativistas convocaram na internet atos para todos os domingos em 13 cidades da China, para pressionar o governo por transparência e liberdade de expressão. Na semana passada, houve pedidos por protestos similares aos ocorridos no mundo árabe. As convocações por protestos no domingo passado fizeram com que a polícia fosse reforçada nos locais marcados em Pequim, Xangai e outras cidades. Os atos tiveram aparentemente pouca adesão e não houve grandes incidentes. As informações são da Dow Jones.

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