Ativistas temem 'contrarrevolução' no Egito

Ativistas organizam uma grande marcha hoje na Praça Tahrir, no centro do Cairo, epicentro dos protestos contra o regime do agora ex-presidente Hosni Mubarak. Uma semana após a renúncia de Mubarak, os organizadores dizem que é preciso existir garantias de que haverá mudanças no país, sob o risco de o Egito cair em mais um regime autoritário.

AE, Agência Estado

18 de fevereiro de 2011 | 10h52

"Os restos do velho sistema ainda estão operando na sociedade. Eles estão tentando lançar uma contrarrevolução", afirmou Mohammed Abbas, um membro da Irmandade Muçulmana e também da coalizão por mudanças. Segundo ele, agentes de segurança ainda atacam manifestantes, enquanto ativistas a favor de Mubarak buscam realizar marchas para coincidir com as realizadas pelos manifestantes pela democracia.

Os ativistas pela democracia querem que os militares trabalhem para retirar a influência do partido de Mubarak, o Democrático Nacional, sobre o país. Alguns oposicionistas também resistem em formar novos partidos agora, dizendo que é preciso antes manter a unidade do movimento, para superar os resquícios do antigo regime.

"Eu não posso me preocupar com a ideia de formar um partido político, montar escritórios e sedes e buscar financiamento enquanto ainda estamos no período de transição", afirmou Abdel-Hamid. "É hora de todos falarem a mesma língua." Os ativistas formam uma coalizão, com cinco grupos jovens e partidos políticos, incluindo a Irmandade Muçulmana. Há seculares de esquerda, liberais, muçulmanos e cristãos no grupo, que se formou durante os 18 dias de protestos contra Mubarak.

O grupo quer reformas na Constituição e a criação de um sistema parlamentar, reduzindo a autoridade do presidente. Seria uma mudança radical, em uma nação que acaba de passar por um longo período autocrático. Até o momento, porém, não se sabe se os militares ouvem suas demandas.

Seis membros dessa coalizão estavam entre os oito ativistas que se reuniram com generais no fim de semana. O Conselho Supremo das Forças Armadas dissolveu o Parlamento - uma exigência dos manifestantes - e promete eleições livres, para os militares deixarem o poder em seis meses. Mas os militares mantiveram o último governo nomeado por Mubarak, que os manifestantes querem retirar do poder e substituir por uma equipe de transição.

Os militares suspenderam a Constituição, mas não a dissolveram. Eles também nomearam especialistas para, em dez dias, elaborar mudanças no texto para permitir eleições multipartidárias. As informações são da Associated Press.

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