Ato cobra governo de Cristina Kirchner por tragédia de trem

Parentes e amigos das 51 vítimas de choque ferroviário na estação Once protestam diante da Casa Rosada três anos após colisão

Rodrigo Cavalheiro, de BUENOS AIRES / CORRESPONDENTE , O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2015 | 21h57

Pela segunda vez em quatro dias, a frente da Casa Rosada foi ocupada por manifestantes com pedidos de justiça e reclamações contra a presidente Cristina Kirchner. O ato na tarde de ontem reuniu na Praça de Maio centenas de parentes e amigos das 51 vítimas do choque ferroviário ocorrido há três anos na estação Once, em Buenos Aires.

“A leitura de que qualquer protesto contra o governo é uma tentativa de desestabilização é uma mentira, uma tentativa de vitimização. Não somos golpistas”, disse ao Estado Paolo Menghini, pai de Lucas, que morreu aos 19 anos no acidente.

Paolo tornou-se um porta-voz do grupo pelas circunstâncias em que foi encontrado o corpo de seu filho – dois dias e meio após o choque, prensado entre dois vagões, lugar usado em razão da superlotação.

No sábado, Cristina acusou integrantes do Judiciário e do Ministério Público que organizaram a marcha com 400 mil manifestantes em homenagem ao promotor Alberto Nisman de tentar um golpe e criar um “Partido Judicial”, a oito meses da eleição presidencial. Nisman foi encontrado com uma bala na cabeça em seu apartamento quatro dias depois de acusar a presidente e dirigentes de proteger iranianos ligados pela Justiça a um atentado contra uma associação judaica em que morreram 85 em 1994.

Uma das amigas de Lucas, a estudante de arquitetura Priscila Serra, ajudava a estampar gratuitamente a expressão “JU5T1CIA” em camisetas levadas por manifestantes. “Queremos uma resposta e só recebemos indiferença”, disse. O grupo exige que o governo assuma responsabilidade por falhas de infraestrutura decisivas para que o trem colidisse contra a plataforma. Há 29 acusados pela Justiça. Entre eles estão cinco ex-integrantes da administração e empregados de concessionárias suspeitos de desviar subsídios ao transporte.

O ministro dos Transportes, Florencio Randazzo, que não estava no cargo há 3 anos e tem recebido elogios de Cristina, é um dos possíveis candidatos kirchneristas à presidência, ao lado do governador de Buenos Aires, Daniel Scioli. “Randazzo tem usado a compra de trens novos da China em sua campanha. Tiveram anos para fazer isso e, agora, apresentam como política”, critica Menghini. O governo não comentou a mobilização.

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