EFE/Ernesto Arias
EFE/Ernesto Arias

Ato contra Keiko reúne multidão em Lima

Às vésperas do 2º turno no Peru, cerca de 5 mil pessoas tomaram a capital do país para protestar contra a possível volta dos Fujimori ao poder

Luiz Raatz, Enviado Especial / Lima, O Estado de S. Paulo

01 Junho 2016 | 08h56

LIMA - Cerca de 5 mil pessoas, segundo a Polícia Nacional do Peru, tomaram a Plaza San Martín e ruas próximas na noite de terça-feira, 31, para protestar contra a candidata Keiko Fujimori, favorita para vencer o segundo turno das eleições no domingo. Estudantes, aposentados, trabalhadores gritaram palavras de ordem contra a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, e hoje cumpre 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção. 

Foi a terceira marcha convocada pelo movimento "Keiko não vai" e a que reuniu mais gente, segundo os organizadores. Partidos políticos de esquerda e movimentos sociais convocaram o ato, que contou também com a participação de eleitores de classe média que se opõem ao fujimorismo. 

Os manifestantes acreditam que, assim como ocorreu na vitória de Ollanta Humala, em 2011, a mobilização popular na rua será um fator decisivo para impedir o retorno da clã Fujimori ao poder no Peru. Keiko tem vantagem sobre o rival, o economista Pedro Pablo Kuczynski, de seis pontos porcentuais, segundo as últimas pesquisas.

"Da outra vez também Keiko era a favorita a ganhar e foi a mobilização das pessoas na ruas, como hoje, que impediu que o Peru retornasse à ditadura e ao narcoestado", disse ao Estado o administrador de empresas Juan Carlos Estrella, de 58 anos. 

Ao lado dele, o colega Patricio Huggard, segurava um cartaz que dizia "não ao narcoestado", em referência às denúncias de que 12 deputados eleitos pelo partido da candidata teriam ligações com o tráfico de drogas. "Keiko só chega às eleições em condição de vitória em virtude da ignorância", afirmou. "E digo ignorância no sentido de não saber o que aconteceu. As vítimas de Fujimori não podem ser esquecidas."

A concentração começou no fim da tarde em Lima na Plaza San Martín, que homenageia o general argentino José de San Martin, herói da independência peruana, ao lado do venezuelano Simón Bolívar. Centenas de bandeiras peruanas, nas cores vermelha e branca, coloriram a praça. As palavras de ordem contra o retorno do fujimorismo eram a trilha sonora: "O povo consciente não elege delinquente" e "Peru, te quero, por isso te defendo."

Havia também adesivos e camisetas do candidato opositor entre os manifestantes, mas em número pequeno comparado aos cartazes, bandeiras e até fantasias contra Keiko. Alguns manifestantes chegaram até mesmo a se vestir de ratos. "É muito importante que o fujimorismo e a ditadura não regressem", disse o aposentado Carlos Jiménez, de 76 anos. "Os mortos de ontem podem ser os de amanhã."

Entre os manifestantes, no entanto, havia também quem rejeitasse os dois candidatos. Filiado a uma corrente política indígena que rejeita os partidos tradicionais, o estudante Juan Valdivia, de 20 anos, anulará o voto no domingo. "Ambos os candidatos defendem o projeto neoliberal patrocinado pelos Estados Unidos", disse, fantasiado com um nariz de palhaço. "Eu não acredito nas pesquisas de opinião, que aqui no Peru são patrocinadas por um único grupo econômico."

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