Ato da esquerda cancela evento com blogueira cubana

Grupos de apoio ao regime cubano protestam contra presença de Yoani Sánchez no Brasil, com manifestações em Pernambuco e na Bahia

GUILHERME RUSSO , ENVIADO ESPECIAL , FEIRA DE SANTANA (BA), O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h02

Movimentos de esquerda organizaram ontem manifestações de repúdio à presença da blogueira cubana e colunista do 'Estado' Yoani Sánchez no Brasil e levaram ao cancelamento da apresentação do documentário Conexão Cuba Honduras, do cineasta Dado Galvão, em Feira de Santana.

Segundo organizadores dos atos, que também defendem o regime castrista, cerca de 30 entidades solidárias ao governo de Cuba participam das manifestações, que, segundo promete a União da Juventude Socialista (UJS), ocorrerão "por onde ela passar".

Yoani, que chegou ao Recife durante a madrugada de ontem, qualificou as manifestações como "um banho de democracia e pluralismo". "Isso é algo que não vejo em meu país. Gostaria que houvesse essa liberdade. Com insultos, estou acostumada. Tenho a pele curtida contra xingamentos. Isso não me machuca. Na ausência do argumento, há o grito. Isso é cotidiano na minha vida", declarou a blogueira.

Após interferência do senador Eduardo Suplicy, os manifestantes concordaram em se sentar no auditório do Parque do Saber, onde seria exibido o documentário, e participar de um debate com Yoani. O debate ocorreu em clima exaltado em meio a vaias dos manifestantes e aplausos de simpatizantes da blogueira, que saiu escoltada pela polícia.

Nas mobilizações de ontem, no Recife e em Salvador, a grande maioria dos manifestantes tinha menos de 25 anos. "Ela vai ser recebida assim em cada Estado que chegar", disse o sociólogo Edival Nunes Cajá, membro do Partido Comunista Revolucionário (mais informações nesta página) - com 62 anos, um dos únicos militantes veteranos do protesto.

A estudante de medicina Marcela Vieira Freire, de 23 anos, era uma das manifestantes mais exaltadas do protesto. Entregou nas mãos da blogueira uma "carta aberta" em defesa da "Cuba revolucionária". "Repudiamos a presença de Yoani", disse, afirmando que o protesto representa "um fórum de 30 entidades (de esquerda) em defesa dos 5" (cubanos presos nos EUA por espionagem desde 1998).

Patriota. O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, qualificou ontem a visita de Yoani de "um reflexo também de um processo de mais liberdade para cidadãos cubanos". Indiretamente, ele reagiu a uma reportagem da revista Veja, segundo a qual um funcionário do Planalto teria participado de uma reunião na embaixada de Cuba como parte de um complô para desmoralizar Yoani. "O Brasil sempre disse que ofereceria todas as condições (para a visita) e as tem oferecido", disse. / COLABOROU ISADORA PERON

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