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Ato de governo para tirar foco de marcha respinga no Brasil

CENÁRIO: Rodrigo Cavalheiro

O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2015 | 02h01

Dias de mobilização contra o governo de Cristina Kirchner coincidem com anúncios presidenciais em cadeia nacional, sejam de obras ou de trocas de ministros. Ontem, a líder argentina discursou por 32 minutos, horas antes da marcha em homenagem ao promotor Alberto Nisman, encontrado morto em Buenos Aires quatro dias depois de denunciá-la.

Em um ato imprevisto até o início da semana - a entrada em rede nacional de TV foi confirmada minutos antes de ocorrer -, a presidente falou para militantes, que em alguns momentos a interromperam aos gritos de "Néstor, Néstor". A usina nuclear Atucha II, que inaugurava "com neurônios e mão de obra argentina", foi rebatizada Néstor Kirchner, marido de Cristina que governou entre 2003 a 2007 e morreu em 2010.

Para ressaltar a importância da nova unidade, com capacidade máxima de 745 megawatts (5% do consumo nacional), Cristina a comparou à matriz energética brasileira. "Olhem o que ocorre com nossos irmãos brasileiros. Por ter uma matriz fundamentalmente hidrelétrica, em razão das mudanças climáticas, estão com problemas com a seca. Por isso, o hidrelétrico e o nuclear devem ser complementares", disse.

Cinco minutos depois, a presidente celebrou o alto consumo dos argentinos comparado ao dos vizinhos. "Um lar médio argentino consome quatro vezes mais energia do que um brasileiro. Isso ocorre porque há cada vez mais coisas para colocar nas tomadas das casas argentinas." Logo, brincou com um militante que gritou ter três aparelhos de ar-condicionado em casa, aconselhando-o a deixá-los sempre em 24ºC e ter um "consumo responsável".

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