Craig Ruttle/AP
Craig Ruttle/AP

Americanos protestam em Nova York e pedem impeachment de Trump

O cineasta Michael Moore e o ator Mark Ruffalo se uniram aos manifestantes que foram à Trump Tower protestar contra a fala do presidente sobre a violência em Charlottesville

Ricardo Leopoldo, correspondente / Nova York, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 02h26
Atualizado 16 Agosto 2017 | 11h26

NOVA YORK - Centenas de manifestantes se reuniram na noite de terça-feira 15 em Nova York para protestar contra a resposta do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre os protestos ultradireitistas no país. O grupo foi até a frente da Trump Tower, pela segunda noite consecutiva, para pedir o afastamento do líder republicano.

O presidente voltou a dizer que a manifestação em Charlottesville, Virgínia, no fim de semana, teve "dois lados". Em um pronunciamento condenado por democratas e republicanos - e até pela emissora Fox News, tradicional apoiadora de Trump -, ele ainda afirmou que havia pessoas "muito boas" entre os extremistas de direita que marcharam na cidade, que nem todos eram neonazistas ou supremacistas brancos, e o grupo teria sido vítima de ataques de radicais da esquerda. Uma pessoa morreu e mais de 30 ficaram feridas durante os atos na cidade do sudeste do país no último sábado, 12.

O cineasta Michael Moore, conhecido por produzir documentários contra o governo de George W. Bush, foi um dos líderes da manifestação em frente à Trump Tower, onde o presidente morava até assumir a Casa Branca e onde está hospedado desde segunda-feira. Moore convocou a plateia de sua peça em cartaz na Broadway, The Terms of My Surrender, a ir até o local ao fim da apresentação. 

 

Em transmissão ao vivo pelo Facebook, o cineasta foi visto guiando o público em um ônibus em direção ao local do protesto, acompanhado pelo ator Mark Ruffalo. Eles puxavam gritos como "hey, hey, ho, ho, Donald Trump has got to go" (Donald Trump tem que sair).

A polícia de Nova York ainda não divulgou o número de manifestantes, mas a reportagem do Broadcast / Estadão calculou que tenham sido em torno de 300. Ainda que em volume menor em relação ao protesto da noite anterior, o grupo fazia mais barulho na região central da cidade. Um grupo menor de apoiadores de Trump também foi à região para defender o presidente, com cartazes em que se lia o slogan da campanha de 2016: "Make America great again" (Torne a América grande de novo).

Uma das placas trazia a mensagem: "Não! Em nome da humanidade, nós nos recusamos a aceitar uma América fascista". A psicóloga Emily Horowitz empunhava um cartaz com o símbolo da paz e os dizeres "Impeachment já!". "O afastamento de Trump do cargo é necessário porque ele é totalmente anti-América. Ele é contra a aceitação de diversidades, contra a inclusão social e contra a oportunidade para todos", comentou.

Para Emily, Trump se identifica ideologicamente com os movimentos de ultradireita de Charlottesville. "Além disso, ele é um oportunista que só pensa em dinheiro. Espero que as manifestações que começam a surgir agora, como a que você está vendo hoje, possam crescer com a voz da sociedade contra tudo que Trump está fazendo", disse.

O aposentado David Leeby empunhava o cartaz "Racismo não, Trump não, Fascismo não, EUA!". Ao som do coro "O povo unido jamais será vencido", ele disse que o presidente prova "todos os dias que é um fascista e um racista". "Hoje, por exemplo, disse que no atentado em Virgínia os dois lados têm culpa, o que é errado", disse ele, que citou ainda a proximidade da campanha do republicano com autoridades russas.

As ruas ao redor da Trump Tower foram fortemente policiadas, com diversas viaturas com luzes desligadas. Também passavam pela Quinta Avenida oficiais da cavalaria do Departamento de Polícia de Nova York. Segundo as autoridades, o esquema policial deve continuar nesta quarta-feira, 16, pois há a perspectiva de que Trump continue na cidade. / com ASSOCIATED PRESS

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