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Ato relembra 47 anos do golpe que levou Pinochet ao poder no Chile

Manifestantes homenagearam mortos e desaparecidos da ditadura e o ex-presidente Salvador Allende, que se suicidou durante a tomada do Palácio de La Moneda, em 11 de setembro de 1973

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 14h10

SANTIAGO - Partidos de esquerda e grupos de familiares de vítimas da ditadura de Augusto Pinochet lembraram, nesta sexta-feira, 11, os 47 anos do golpe de Estado que derrubou o governo do socialista Salvador Allende.

"Não me esqueço, exijo justiça", lia-se em uma das faixas que percorreu a manifestação, que reuniu centenas de pessoas na Praça dos Heróis, no centro de Santiago, para chegar ao memorial de detidos e desaparecidos no cemitério da capital chilena.

A manifestação é realizada todos os anos para lembrar as mais de 3.200 vítimas, entre mortos e desaparecidos nos 17 anos da ditadura de Pinochet, desde 11 de setembro de 1973, quando as Forças Armadas se levantaram contra o governo de Salvador Allende, que se suicidou dentro do Palácio de La Moneda ao ser bombardeado por ar e terra.

Devido à pandemia do novo coronavírus e às restrições, a manifestação reuniu menos pessoas do que nos anos anteriores. Usando máscaras, tentando manter distância física e carregando faixas com os rostos das quase mil pessoas que ainda estão desaparecidas, o grupo avançou pelas ruas do centro de Santiago.

Quase ao mesmo tempo, no monumento que lembra a figura de Allende em frente ao palácio presidencial, dirigentes dos partidos Comunista e Socialista, representantes da Central Única de Trabalhadores (CUT) e outros grupos se reuniram para destacar a figura do presidente derrubado, o primeiro marxista a chegar ao poder pelas urnas.

"A melhor homenagem que podemos prestar àqueles que deram suas vidas pela causa democrática, a exemplo do presidente Salvador Allende, é trabalharmos juntos pela ampla vitória da opção aprovada no plebiscito de 25 de outubro", disse à imprensa o presidente do PS, Álvaro Elizalde.

Nesta eleição, proposta como uma das saídas da crise social gerada após a eclosão social de 18 de outubro do ano passado, os chilenos devem "aprovar" ou "rejeitar" a elaboração de uma nova Constituição, que substitua a atual, considerada um legado da ditadura.

"Este é um ano cheio de esperança, mais difícil e em quarentena, mas com possibilidades de mudanças reais. Pela primeira vez na história do país que nos deparamos com a possibilidade real de acabar com esta constituição Pinochet", disse Lorena Pizarro, presidente da Associação de Familiares de Detidos-Desaparecidos./ AFP

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