University of Portsmouth/HO/AFP
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Atomik, a vodca criada para limpar a imagem de Chernobyl

Elaborada com cereais da zona do desastre, a Atomik quer mostrar que área é cultivável 

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 22h18

O que fazer com a terra que foi abandonada na Ucrânia após o desastre nuclear de Chernobyl? Após 33 anos, pesquisadores tiveram a ideia de criar a vodca Atomik, um destilado produzido com cereais plantados na zona de exclusão de Chernobyl. 

Uma equipe de cientistas britânicos trabalhou com colegas ucranianos para produzir a vodca, feita com grãos e água da região abandonada numa fazenda próxima ao local do acidente atômico de 1986. Os interessados em consumir o spirit perguntam: a vodca é segura?

Segundo o professor Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, o produto passou por testes agressivos e não tem radioatividade. “Não é mais radioativa que qualquer outra vodca. Checamos exaustivamente”, garantiu Smith. “Dois dos melhores laboratórios do mundo procuraram por qualquer indício de radioatividade de Chernobyl e não encontraram nada.”

Há apenas uma garrafa da vodca, mas isso está para mudar. A equipe por trás da nova bebida espera usar os lucros de futuras vendas para ajudar as comunidades ainda afetadas pelo desastre e a conservação da vida silvestre na área. Smith disse que há planos para se criar a “Chernobyl Spirit Company”, que começará a produzir e vender o destilado uma vez cumpridas as rigorosas medidas legais. 

“Esta deve ser a garrafa de vodca mais importante do mundo. Não pelo que é, mas pelo que representa”, disse Smith. “Esperamos devolver 75% dos lucros da empresa para apoiar o desenvolvimento econômico e social das comunidades locais. “Milhares de pessoas ainda vivem na zona de exclusão, onde novos investimentos e agricultura ainda são proibidos.” Smith explicou o processo pelo qual a vodca Atomik é feita: “Pegamos centeio ligeiramente contaminado e água do aquífero de Chernobyl e destilamos tudo”. 

Embora a universidade confirme que “alguma radioatividade” tenha sido encontrada nos grãos, quando os pesquisadores testaram a vodca eles detectaram o mesmo nível natural de radioatividade de Carbono-14 de outros destilados. 

Smith acha que as pesquisas confirmam a ideia de que, 33 anos após o desastre, muitas áreas que antes eram desertificadas podem agora ser usadas para plantar vegetais seguros. / THE WASHINGTON POST

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