REUTERS/Gonzalo Fuentes
REUTERS/Gonzalo Fuentes

Atos contra Macron e Le Pen fecham escolas

Manifestação em Paris derivou para a violência quando grupos de black blocs voltaram a atacar as forças de segurança

Andrei Netto Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

27 Abril 2017 | 20h05

Estudantes de cerca de 20 escolas de segundo grau fecharam suas instituições nesta quinta-feira, 27, em protesto contra os dois candidatos finalistas das eleições presidenciais na França. Com slogans como “Nem Marine, nem Macron. Nem pátria, nem patrão”, os jovens manifestaram sua insatisfação com os nomes de Emmanuel Macron e Marine Le Pen, que disputarão o Palácio do Eliseu o segundo turno no dia 7. Alheios à insatisfação de parte do eleitorado, os dois voltaram a se digladiar pelo voto dos indecisos.

O protesto foi realizado em Paris, onde reuniu cerca de 3 mil pessoas, e em várias grandes cidades da França. Em vários momentos, grupos de black blocs entraram em confronto com a tropa de choque, atacando policiais civis e militares com garrafas e pedras, e atacaram também estabelecimentos comerciais na Praça da República, centro da capital. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo. O movimento recebeu a adesão de cerca de 1 mil estudantes de ensino médio, que se manifestaram durante três horas. Entre gritos de rejeição aos candidatos, os jovens também entoavam palavras de ordem “anticapitalistas”.

Entre os derrotados do primeiro turno, grupos de esquerda radical, seguidores de Jean-Luc Mélenchon, candidato do movimento França Insubmissa, são os mais insatisfeitos. Contrariando a tradição dos líderes políticos de esquerda, o próprio candidato rejeitou tomar uma posição em favor de Macron no segundo turno, já que o partido de extrema direita Frente Nacional (FN), da família Le Pen, é o tradicional oposto político dos partidos progressistas na França. Com o silêncio do candidato, grande parte de seu eleitorado vem defendendo a abstenção ou o voto em branco ou nulo, e grupúsculos de extrema esquerda estão até contestando o resultado do primeiro turno. 

A campanha presidencial na França se desenrola sob alta tensão e se transformou em uma guerra aberta entre Macron e Le Pen desde a segunda-feira. Um dia depois da armadilha lançada pela candidata da Frente Nacional em uma fábrica em vias de fechamento da Whirlpool no norte do País, na terça, Macron e sua equipe partiram para a ofensiva acusando a nacionalista de apresentar-se “em nome do povo”, mas ser uma “herdeira nascida em um castelo”. Em um discurso inflamado em Arras, na noite de quarta-feira, o candidato social-liberal reagiu à campanha cada vez mais agressiva de Le Pen. 

Hoje, em entrevista à rede de TV privada TF1, Macron pediu o voto dos candidatos derrotados do primeiro turno – além de Mélenchon, do socialista Benoit Hamon e do conservador François Fillon, do partido Republicanos.

Em evento em Nice, Le Pen voltou a atacar seu rival: “ Emmanuel Macron é o piromaníaco que quer se fazer passar pelo bombeiro”. A candidata nacionalista foi alvo hoje de uma petição de associações de jornalistas de mais de 30 veículos de mídia da França, por “escolher os veículos autorizados a segui-la”. Segundo os jornalistas franceses, a candidata “entrava a liberdade de informar”. 

 

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