AFP PHOTO / CARLOS BECERRA
AFP PHOTO / CARLOS BECERRA

Atos contra Maduro retomam força e deixam 46 feridos na Venezuela

Um jovem identificado como ladrão foi imolado por opositores em Caracas; contém imagens fortes

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 16h39

CARACAS - Mais de 200 mil venezuelanos saíram às ruas no sábado, 20, para pedir a renúncia do presidente Nicolás Maduro. Os principais atos ocorreram no Estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, e em Caracas, onde 46 pessoas ficaram feridas, entre elas um jovem que seria um ladrão, incendiado por manifestantes. 

Na capital venezuelana, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, que caminhava na direção do Ministério do Interior, no centro da cidade. "Havia, com certeza, 160 mil pessoas, e até mais", disse à AFP, Edinson Ferrer, dirigente da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Uma multidão exibia cartazes com frases como "#Chega de ditadura!", "Eleições Já", em meio a barricadas armadas com troncos e pedras e um gigantesco tanque de metal, uma proteção das ações da polícia.

"Temos que permanecer nas ruas 50, ou mil dias a mais, o que for necessário até que Maduro aceite eleições, ou saia", defendeu o estudante Antonio Moreno, de 21 anos, que estava com um escudo de madeira improvisado com a palavra "resiste", para se proteger de eventuais bombas de gás.

O governo venezuelano acusou manifestantes opositores atearam fogo ao jovem , identificado como Orlando Figuera, de 21 anos. Ele está internado em um hospital do leste da capital com queimaduras de primeiro e segundo graus em 80% do corpo e feridas de arma branca, informou o Ministério do Interior e Justiça no Twitter. A Promotoria anunciou que abriu uma investigação sobre o ocorrido.

"Loucura crescente. Ateiam fogo a um ser humano durante uma 'manifestação pacífica' da oposição em Caracas. Fascismo inoculado", denunciou no Twitter o ministro de Comunicação e Informação, Ernesto Villegas, ao compartilhar um vídeo do ocorrido.

Villegas denunciou que os jovens que moram em favelas e são contratados, segundo ele, pela oposição para protestar de forma violenta "se expõem a serem confundidos com infiltrados (que apoiam o governo), o que pode lhes custar a vida ou a integridade".

O deputado governista Earle Herrera afirmou em seu programa semanal de TV que o homem queimado foi acusado de ser chavista ou de estar roubando. A liderança opositora não se pronunciou sobre o ocorrido. Governo e oposição se responsabilizam mutuamente pela violência nas manifestações.

Em sete semanas, além de 47 mortos, foram centenas de feridos e quase 2.200 detidos. De acordo com a ONG Foro Penal, ao menos 161 pessoas foram encarceradas por ordem de tribunais militares.

ATENÇÃO, AS IMAGENS A SEGUIR SÃO FORTES

"Isso foi um massacre contra o povo, mas, apesar de tudo, quanto mais repressão, mais resistência e luta pela Venezuela", declarou o líder opositor Henrique Capriles, antes de iniciar a caminhada para o Ministério do Interior.

"Convidamos a marchar todo o dia que for necessário até que haja uma mudança na Venezuela", insistiu Capriles.

"Bandido, corrupto, você vai sair", gritou.

Já em San Cristóbal, no estado de Táchira, fronteiriço com a Colômbia, mais de 40 mil pessoas foram às ruas, (segundo cálculos da AFP). Esta semana, o presidente Maduro ordenou o envio de 2.600 militares para "preservar a paz" nessa região, após violentos distúrbios.

Nos últimos dias, aumentaram as mortes por ferimentos a bala em atos relacionados aos protestos. Vários policiais e militares já estão sendo investigados. Alguns desses fatos aconteceram em Táchira.

Em outra parte da cidade, no palácio presidencial de Miraflores, Maduro receberia mais de dois mil trabalhadores (segundo cálculos da AFP), um mar vermelho, a cor do chavismo. Cantando e dançando, o grupo partiu do centro de Caracas para expressar seu apoio à Assembleia Constituinte "popular", convocada recentemente pelo presidente. Maduro não apareceu para recebê-los.

O país está completamente dividido e quase paralisado, em meio a uma grave crise econômica. Os opositores denunciam uma "repressão selvagem" do governo, enquanto Maduro os acusa de apelar para o "terrorismo" para dar um golpe de Estado com financiamento dos Estados Unidos.

 

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