Atrás nas pesquisas, Capriles ataca Maduro

Candidato da oposição venezuelana tem 14 pontos de desvantagem para herdeiro político de Chávez, a menos de um mês das eleições presidenciais

CARACAS, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h01

Uma pesquisa de opinião divulgada ontem na Venezuela indica que o presidente interino Nicolás Maduro é o favorito para as eleições de 14 de abril. O herdeiro político do presidente Hugo Chávez, morto no dia 5, tem 49,2% da preferência popular, segundo o instituto Datanálisis. O opositor Henrique Capriles, governador de Miranda, conta com 34,8%. A vantagem é de 14 pontos porcentuais.

Atrás nas pesquisas, o candidato da oposição intensificou ontem seus ataques a Maduro. O governador acusou o líder chavista de ser uma marionete do governo cubano e, em um encontro com estudantes no Estado de Zulia, pediu aos universitários que rompam com o chavismo, que chamou de corrupto.

Maduro, por sua vez, prometeu em comício em bairros populares de Caracas reduzir os índices de violência urbana da Venezuela, um dos mais altos da América Latina. O presidente interino também abriu uma frente digital de campanha, ao inaugurar no domingo uma conta na rede social Twitter, ferramenta usada intensivamente por seu padrinho político, Hugo Chávez.

Capriles lançou uma série de ataques a Maduro ao longo do dia. O candidato da Mesa de Unidade Democrática (MUD) prometeu, caso seja eleito, interromper o fornecimento de 100 mil barris de petróleo diários para Cuba. "Nicolás é o candidato de Raúl Castro e eu sou o candidato do povo venezuelano", disse.

O governador de Miranda ainda ironizou o rival, ao dizer que, de tanto que ele esteve em Cuba nos últimos meses, durante a internação de Chávez, "já estava falando com sotaque cubano". "Cada dia está mais difícil encontrar comida e ela está cada vez mais cara", acrescentou Capriles, em referência à escassez de alimentos e à inflação do país.

No pronunciamento aos estudantes em Zulia, Capriles pediu também aos universitários que rompam com o governo chavista. "Nicolás e sua turma andam dizendo que, se Capriles ganhar, vai fechar as universidades", disse o candidato. "Que os jovens de todo país se lembrem que quem mente uma vez mente a vida inteira."

Em um ato político em Caracas, Maduro prometeu reduzir a violência urbana na Venezuela. O presidente interino propôs entrar a pé e desarmado nas favelas mais violentas da capital para pedir às gangues criminosas que baixem suas armas. "Iremos assim, de peito aberto", discursou Maduro. "Iremos sem medo para pedir a esses jovens que parem os assassinatos e abandonem as armas."

A violência urbana é uma das principais preocupações dos eleitores venezuelanos. No ano passado, segundo o governo, houve 16 mil mortes violentas no país. Segundo a ONU, apenas quatro países do mundo têm uma taxa de homicídio por 100 mil habitantes mais alta do que a Venezuela: Honduras, El Salvador, Jamaica e Costa do Marfim.

Além dos homicídios, os grandes centros urbanos venezuelanos sofrem também com sequestros relâmpagos, assaltos e tráfico de drogas. O governo chavista é acusado pela oposição de ter sido relapso com a criminalidade ao longo dos 14 anos de mandato de Chávez. A superlotação do sistema prisional, com rebeliões frequentes, é outro problema. / AP e REUTERS

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