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Atraso na contagem de votos no Zimbábue eleva temor de fraude

Aumentou a preocupação nestasegunda-feira com o longo atraso na divulgação dos resultadosdas eleições gerais no Zimbábue, pois há o temor de que opresidente Robert Mugabe esteja tentando continuar no poder pormeio de fraudes. Quase 48 horas depois do fechamento das urnas, apenas 52dos 210 cadeiras do Parlamento haviam sido definidas. O partidode Mugabe, Zanu-PF, liderava a corrida com um representante amais do que a principal legenda da oposição, o Movimento pelaMudança Democrática (MDC). Dois dos ministros do governo não conseguiram reeleger-se. E nenhum resultado foi divulgado ainda para a votaçãopresidencial, na qual Mugabe enfrenta seu maior desafio em seus28 anos no poder. "Hoje está claro que existe algo de podre no ar. Tudo issoé muito suspeito e totalmente inaceitável", afirmou NelsonChamisa, porta-voz do MDC. Mugabe, de 84 anos, encontra-se sob grande pressão, sendodesafiado em duas frentes: por Morgan Tsvangirai, do MDC, epelo ex-integrante do Zanu-PF Simba Makoni. Os dois candidatosacusam Mugabe de ter provocado a ruína da economia zimbabuana. Os resultados oficiais mostram que o Zanu-PF conquistou,até agora, 26 cadeiras, o MDC, 25, e um grupo dissidente doMDC, uma. Aumentaram as manifestações de preocupação pelos atrasos nadivulgação das cifras, incluindo da Grã-Bretanha, da UniãoEuropéia e dos dois candidatos oposicionistas. Segundo o MDC, contagens informais mostravam que Tsvangiraificou com 60 por cento dos votos para presidente, ou duas vezeso total de Mugabe, tendo sido apuradas mais de metade dasurnas. Entidades particulares de pesquisa projetam uma vitóriaainda mais folgada para Tsvangirai. Em sua primeira declaração pública desde a votação, Makonicriticou a forma como os resultados vêm sendo anunciados."Estamos muito preocupados com a forma como as coisas estãoocorrendo", afirmou à Reuters. A Campanha Salvem o Zimbábue, uma coalizão de grupos civis,políticos e religiosos, também se mostrou preocupada com oatraso na apuração dos votos e disse que isso "dá motivos aoszimbabuanos para suspeitarem de que o processo eleitoral vemsendo manipulado pelo governo". Apesar de o quadro não parecer favorável a Mugabe -- nopoder desde a independência do país, em 1980 --, analistasacreditam que o controle rígido que ele mantém sobre o Zimbábuee o apoio leal das Forças Armadas podem fazer com que ignore osresultados e se declare vitorioso. Tsvangirai e alguns observadores internacionais acusaramMugabe de ter fraudado a eleição presidencial de 2002. O Zimbábue enfrenta a mais alta inflação do mundo, de maisde 100 mil por cento, um desabastecimento crônico de alimentose combustível, além de uma epidemia de HIV/aids que contribuiupara derrubar acentuadamente a expectativa de vida no país. O MDC afirma que, segundo suas contagens, conquistou 96vagas das 128 decididas até agora. Makoni teria ficado com 10por cento dos votos, segundo essa apuração informal. "Na nossa opinião, e conforme já dissemos antes, não épossível que a tendência nacional mude. Ou seja, as pessoas seexpressaram, e criticaram a ditadura", disse Tendai Biti,secretário-geral do MDC. O jornal Herald, controlado pelo governo, acusou o MDC de"preparar seus simpatizantes para a realização de atosviolentos ao descartar previamente os resultados, alegando terganhado". O governo advertiu que qualquer declaração antecipadade vitória nas urnas seria interpretada como uma tentativa degolpe. (Reportagem adicional de Stella Mapenzauswa, Cris Chinaka,Nelson Banya e Muchena Zigomo; Paul Taylor em Bruxelas e AdrianCroft em Londres )

MACDONALD DZIRUTWE, REUTERS

31 de março de 2008 | 16h18

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