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Atravessar fronteira com EUA ficou mais caro; e mais perigoso

Os traficantes de imigrantes ilegais entre o México e os EUA, conhecidos como "coiotes", duplicaram o preço de seus serviços no deserto do Arizona desde a chegada dos soldados da Guarda Nacional americana à fronteira.Se no início do ano os traficantes cobravam entre US$ 1.200 a US$ 1.500 para cruzar o deserto a partir da cidade mexicana de Altar, no Estado de Sonora, hoje o preço subiu para US$ 3.000 a US$ 4.000 por pessoa, inclusive para menores de idade."Não esperava que estivessem cobrando tanto", disse Vicente López, imigrante mexicano do Estado de Michoacán.Sentado em um banquinho do lado de fora da hospedaria em Altar, que cobra US$ 50 a diária para um espaço tão pequeno que cabe apenas um colchão de solteiro, López não sabe se nos próximos dias poderá juntar a quantia que estão pedindo. "A primeira vez que passei me cobraram US$ 1.500, agora estão pedindo US$ 3.000", disse.Os "coiotes" teriam dito a López que este é o melhor momento para tentar a travessia, já que quando chegarem mais soldados "será praticamente impossível". De acordo com o governo dos EUA, desde a chegada das primeiras tropas à fronteira, a detenção de imigrantes ilegais caiu 21%.Especialistas em imigração ilegal afirmam que a diminuição deve-se não só à presença das tropas, mas também ao aumento do preço pedido pelos traficantes. "É um fenômeno que ocorre sempre que aumentam a vigilância na fronteira´, disse Francisco Loureiro, diretor de um abrigo para imigrantes ilegais na cidade fronteiriça de Nogueiras, em Sonora.Riscos aumentamPara alguns ativistas e defensores dos direitos dos imigrantes ilegais, como Kate Rodríguez, porta-voz da Coalizão dos Direitos Humanos do Arizona, o aumento na militarização da fronteira, a construção de um muro ao longo da divisa e, principalmente, a presença de soldados da Guarda Nacional aumentarão o número de imigrantes mortos.O aumento das tarifas dos "coiotes" pode fazer com que muitas pessoas tentem atravessar sozinhas o perigoso deserto, cujas temperaturas no verão podem alcançar facilmente os 45 graus centígrados."Muitos deles desconhecem as longas distâncias que terão que caminhar e, principalmente, a água que precisam para sobreviver", disse Rodríguez.De acordo com a Patrulha Fronteiriça, existe registro da morte de 103 imigrantes ilegais na fronteira do Arizona desde o início do ano, cinco a menos em relação ao mesmo período de 2005.Vicente López disse que espera poder atravessar o deserto em breve para retornar ao trabalho em Los Angeles, e que nem mesmo a presença da Guarda Nacional evitará que passe a fronteira."Talvez tenha que pagar mais, mas vale a pena, não dá para comparar os salários entre os dois países", afirmou López, que teve que voltar ao México depois que sua mãe adoeceu."A única coisa que queremos é trabalhar, uma oportunidade para vivermos tranqüilos com nossas famílias", afirmou López.

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