AFP PHOTO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA AND AFP PHOTO / MANDEL NGAN AND Ethan Miller
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Atriz pornô diz que foi ameaçada para não revelar caso com Trump

Stormy Daniels, em entrevista a um programa da TV americano, afirmou que considerava o caso com o presidente americano como um negócio e os dois transaram sem camisinha em 2006

O Estado de S.Paulo

25 Março 2018 | 21h56

WASHIGNTON - A atriz pornô Stormy Daniels detalhou seu suposto caso com o presidente Donald Trump e a ameaça que recebeu para tentar silenciá-la, em uma entrevista exibida neste domingo, 25, pela CBS.

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Daniels disse a Anderson Cooper no programa '60 Minutes' que foi ameaçada por um homem em um estacionamento em las Vegas quando tentou vender sua história, em 2011. Ela quer ser liberada de um acordo de confidencialidade, assinado pouco antes das eleições presidenciais, pelo qual recebeu US$ 130 mil - levando a acusações de que o pagamento representou uma contribuição ilícita para a campanha de Trump.

Ela disse ter ficado em contato com Trump após o encontro por pensar no caso "como um negócio". O magnata teria dito que tentaria incluí-la no reality show "O Aprendiz", apresentado por ele na época. 

Na época, Trump não lhe pediu para não revelar o encontro, mas isso mudou quando ela concordou em vender a história para uma revista por US$ 15 mil, em 2011, segundo Daniels. "Eu estava no estacionamento, indo para uma aula de ginástica com a minha filha pequena. Pegando as coisas, a cadeirinha no banco de trás, a bolsa com as fraldas, tirando tudo do carro", lembrou.

"E um cara veio até mim e disse 'Deixe o Trump para lá. Esqueça essa história'. Aí ele se inclinou, olhou para a minha filha e disse 'você é uma menininha linda. Seria uma pena se acontecesse algo com a sua mãe'", contou Daniels. Ela ficou trêmula de medo e temeu derrubar a filha, acrescentou. 

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Cooper perguntou se ela considerou uma ameaça direta, ao que Daniels respondeu: "Totalmente". Ela disse que o medo também lhe motivou a assinar o acordo, 11 dias antes da eleição de 2016. "A história estava voltando. Eu fiquei preocupada com minha família e sua segurança", disse ela.

Quando Cooper perguntou se ela transou com Trump, Daniels respondeu: "Sim". E acrescentou que fez sexo sem camisinha com ele uma vez em 2006. Ela afirma não ter ficado atraída por ele, nem sentido vontade de fazer sexo, mas "eu não disse não. Eu não sou uma vítima", afirmou segundo uma transcrição adiantada da entrevista da CBS.

Motivação.

Sobre os motivos para falar do caso com Trump agora, Daniels disse não se ver como vítima, ou parte do movimento "Me Too", mas afirma querer deixar os fatos esclarecidos. "Eu não estou OK com ser apontada como mentirosa", disse ela. 

Quando foi questionada sobre o que diria a Trump se ele estivesse assistindo à entrevista, Daniels resumiu: "Ele sabe que estou falando a verdade". A Casa Branca negou qualquer encontro sexual entre Trump e Daniels. 

Contudo, a atriz pornô não apresentou provas que confirmem seu encontro com Trump, uma possibilidade citada por seu advogado antes da entrevista. Michael Avenatti havia postado uma foto no Twitter de um HD com o texto: "Se uma foto vale mais que mil palavras, quantas palavras isso vale?".

Avenatti abriu um processo em nome de Daniels - cujo nome verdadeiro é Stephanie Clifford - no começo deste mês para tentar eliminar o acordo. A atriz foi paga pelo advogado pessoal de Trump, Michael Cohen.

Cohen alegou que Daniels deve US$ 20 milhões por violar o acordo - US$ 1 milhão por cada vez que fez isso - em um arquivo judicial anterior à entrevista. / AFP

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