Audiência de acusado de massacre na Noruega será fechada

Público e imprensa são proibidos de entrar em audiência; grupos temem que acusado use aparição como plataforma.

BBC Brasil, BBC

25 de julho de 2011 | 08h51

A Justiça da Noruega determinou que a primeira audiência do acusado do massacre de sexta-feira será fechada - sem presença do público ou da imprensa.

O norueguês Anders Behring Breivik, que assumiu o massacre de ao menos 93 pessoas em Oslo e na ilha de Utoeya, disse que iria "explicar" suas ações à corte.

Grupos e familiares das vítimas vinham pedindo que a imprensa boicotasse a aparição, temendo que Breivik a usasse como plataforma para propagar suas opiniões extremistas.

Em depoimento à polícia norueguesa no fim de semana, Breivik descreveu os ataques como "horríveis, porém necessários".

Ele admitiu os crimes, mas não aceitou ser responsabilizado criminalmente pelas mortes.

"Ele acha que foi horrível cometer estes atos, mas, na cabeça dele, eles foram necessários", afirmou o advogado de defesa, Geir Lippestad. "Ele queria atacar a sociedade e a estrutura da sociedade."

De acordo com a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. A sentença pode ser estendida se o prisioneiro for considerado uma ameaça à segurança pública.

Desaparecidos

Pelo menos quatro pessoas que estavam na ilha de Utoeya, onde Breivik disparou contra participantes de um encontro da juventude trabalhista, ainda estão desaparecidas. Investigadores acreditam que elas podem ter se afogado quando nadavam para escapar do tiroteio.

Segundo Vivian Paulsen, da Cruz Vermelha norueguesa, as buscas ao redor da ilha de Utoeya continuarão enquanto for necessário.

As operações no domingo contaram com 32 barcos e 100 voluntários. Duas embarcações continuaram trabalhando durante a noite e as buscas voltaram a ser ampliadas nesta segunda-feira.

"A ilha fica em um grande fiorde, com correnteza forte, então estamos procurando desaparecidos em um raio de até quatro ou cinco quilômetros ao redor da ilha", disse ela à BBC.

Além dos desaparecidos na ilha de Utoeya, também há corpos não resgatados depois da explosão no centro de Oslo.

A polícia afirma que o número de mortos na explosão pode aumentar, pois há corpos e partes de corpos nos prédios danificados pela bomba - instáveis demais para permitir uma busca segura.

Cúmplice

Apesar de Breivik ter alegado que agiu sozinho, a polícia diz não descartar a possibilidade de que tenha havido cúmplices.

Breivik, que usava um uniforme da polícia, foi preso cerca de 90 minutos após ter começado o massacre na ilha. Segundo a polícia, ele ainda tinha muita munição quando foi rendido.

Funcionários que trataram vítimas em hospitais disseram que o atirador teria usado balas que se fragmentam dentro do corpo, causando sérios danos internos.

Uma das primeiras pessoas assassinadas teria sido um policial, contratado como segurança pelos organizadores do encontro, do qual participavam cerca de 700 pessoas, em sua maioria jovens e adolescentes.

A polícia justificou a demora a chegar ao local do ataque dizendo que foi difícil encontrar um barco apropriado para o transporte e que não havia qualquer helicóptero da polícia por perto.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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