Audiência sobre abusos no Afeganistão acontece na 3ª

Oficiais militares que serviram no Afeganistão vão contar aos congressistas norte-americanos nesta terça-feira que importantes comandantes norte-americanos esconderam a verdade sobre abusos no principal hospital militar do Afeganistão, ampliando uma investigação do Congresso sobre acusações de corrupção que ameaçam prejudicar a missão norte-americana no país.

AE, Agência Estado

23 de julho de 2012 | 20h54

Em audiência perante um painel da Câmara dos Representantes, oficiais reformados e da ativa dirão que líderes graduados tentaram "supercontrolar a mensagem" sobre corrupção e má gestão no Hospital Nacional Militar de Dawood, em Cabul, que recebe recursos norte-americanos.

Denúncias de abusos no hospital feitas por funcionários afegãos - que incluem casos nos quais soldados afegãos morreram de fome - foram alvo de uma reportagem do Wall Street Journal no ano passado. A audiência marcada para terça-feira pode levantar novas questões dos legisladores sobre se líderes militares divulgaram informações muito róseas sobre a situação no Afeganistão.

Um dos oficiais vai dizer ao subcomitê de Supervisão da Câmara e aos Comitê de Reformas do Governo que a missão de treinamento no Afeganistão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), conhecida como NTM-A, que supervisiona o treinamento das forças afegãs, reteve informações ruins sobre o Afeganistão.

Os testemunhos devem caracterizar nova documentação sobre os abusos no hospital, que inclui imagens horríveis de pacientes não atendidos com feridas infestadas por larvas, envoltos em curativos sujos e sofrendo de gangrena.

As investigações recaíram sobre o tenente-general do Exército William Caldwell, que até o ano passado era o principal oficial norte-americano encarregado do programa para treinamento de forças afegãs. Há denúncias de que o general Caldwell adiou o pedido para chamar um inspetor do Departamento de Defesa para investigar o caso, para que o escândalo não viesse à tona antes das eleições de meio de mandato de 2010.

O coronel reformado da Força Aérea, Schuyler Geller, disse em comunicado preparado para a audiência de terça-feira que o escândalo não resultou em processos criminais e que os abusos continuam.

"Hoje, não apenas em 2010 e 2011, indivíduos usando uniformes, cujos salários são pagos pelos contribuintes norte-americanos e que realizaram ou permitiram a realização de abusos indescritíveis com soldados afegãos, civis e famílias caminham pelos corredores do hospital (Dawood) sem penas, incólumes e sem sofrerem processos", diz o documento que fará parte da investigação. As informações são da Dow Jones.

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