Aumenta a condenação estrangeira à repressão na Síria

O presidente da Síria, Bashar Assad, conversou com o ministro de Relações Exteriores da Turquia nesta terça-feira, na medida em que aumenta a reprovação internacional às repressão contra manifestantes pró-democracia. Representantes da Índia, Brasil e África do Sul também se dirigem para Damasco para pressionar pelo fim da violência, que já dura cinco meses.

AE, Agência Estado

09 de agosto de 2011 | 09h23

A visita do chanceler turco Ahmet Davutoglu é significativa porque até recentemente a Turquia tinha ligações próximas com Damasco, mas Ancara tem se tornado cada vez mais crítica ao vizinho por causa da violência. A agência estatal de notícias turca confirmou que Assad se reuniu com Davutoglu, mas não forneceu maiores detalhes.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, elogiou a visita e disse que a secretária de Estado Hillary Clinton conversou com Davutoglu. "Eles falaram sobre a situação na Síria e acreditamos que essa é mais uma oportunidade de enviar outra mensagem forte a Assad de que a repressão a manifestantes pacíficos não pode ser mantida", afirmou Toner na segunda-feira.

O embaixador da Índia na ONU, Hardeep Singh Puri, disse que o representante do país deve chegar a Damasco nesta terça-feira e vai se reunir a representantes do Brasil e da África do Sul para uma reunião com o ministro de Relações Exteriores da Síria, quando será feito um apelo pelo fim da repressão e promova reformas democráticas.

O regime sírio não demonstrou sinais de que vai reduzir a repressão, apesar do crescente isolamento diplomático do país. A Arábia Saudita, além de Bahrein e Kuwait chamaram seus embaixadores de volta nesta semana.

Em editorial publicado nesta terça-feira, o jornal Al Baath, do partido governista sírio Baath, disse que o regime espera que a Turquia e os países árabes do Golfo Pérsico "corrijam rapidamente suas posições".

A última onda de violência teve início uma semana atrás, na véspera do início do mês sagrado do Ramadã, quando tanques e francoatiradores cercaram Hama, cidade na região central da Síria.

Desde o início do Ramadá, mais de 300 pessoas foram mortas em locais como Hama e Deir el-Zour, cidade rica em petróleo numa região pobre, conhecida por seus clãs bem armados e tribos, cujas ligações se estendem pelo leste sírio até o Iraque. Mais de 1.700 pessoas foram mortas desde março, segundo ativistas de grupos de direitos humanos.

Iraque

O presidente do Parlamento Iraquiano pediu nesta terça-feira o fim da violenta repressão síria contra manifestantes, afirmando que o país vizinho precisa "encerrar o derramamento de sangue".

"Os sangrentos eventos que ocorrem na Síria fazem com que solicitemos ao governo sírio o fim do derramamento de sangue, porque o governo é responsável por proteger o povo", disse Osama al-Nujaifi em comunicado.

"Nós pedimos o fim de todas as atividades não pacíficas e o que está acontecendo na Síria, o derramamento de sangue e a opressão à liberdade, é condenável e inaceitável."

As palavras de Nujaifi representam a condenação mais forte feita até agora por um graduado político iraquiano desde que as forças de Assad iniciaram a repressão contra os manifestantes em março. No final de maio, o primeiro-ministro do Iraque Nuri al-Maliki havia pedido a implantação de reformas por Damasco. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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