Aumenta a tensão em conflito sindical na Argentina

O conflito entre a empresa de telefonia Telefónica de Argentina e grupos de trabalhadores que ocupam escritórios da empresa por uma questão sindical agravou-se nesta sexta-feira devido a uma suposta tentativa de despejo.O gerente de Relações Externas da Telefónica de Argentina, Ramón Ponce Gil, afirmou que funcionários da companhia que quiseram entrar em duas sedes da empresa invadidas pelos sindicalistas foram recebidos de "forma violenta" pelos trabalhadores.Ocorreram "alguns incidentes que lamentamos", disse o executivo à emissora local Rádio 10.O secretário adjunto da Federação de Operários e Empregados Telefônicos (Foetra), Claudio Marín, denunciou que grupos de "20 ou 30 pessoas" que não mostraram credenciais nem se identificaram quiseram entrar à força em pelo menos seis dependências da empresa.Marín afirmou que os trabalhadores não tomaram os escritórios, mas "estão ali de guarda porque são locais delicados" e não querem que "nada estranho aconteça".Com estas medidas de pressão, a Foetra tenta fazer com que cerca de dois mil empregados de empresas terceirizadas que trabalham para a Telefónica de Argentina, e que estão filiados ao sindicato da construção, passem para a organização dos trabalhadores de telefônicas.De acordo com a Telefónica de Argentina, a decisão caberá ao Ministério do Trabalho e "possivelmente" à Justiça. "Trata-se de um conflito de enquadramento sindical. Não é poder da Telefónica de Argentina definir qual entidade goza da representação do pessoal", afirmou a empresa em comunicado.O conflito, que completa 32 dias nesta sexta-feira, mantém os serviços de instalação e reparação de linhas e Internet e de atendimento ao cliente paralisados há uma semana.O protesto, que abrange os serviços da Telefónica de Argentina - de capital espanhol - em Buenos Aires, estendeu-se nesta quarta-feira aos da Telecom, outra grande companhia de telecomunicações do país - controlada por capital argentino, francês e italiano.A Telefónica destacou que seus terceirizados trabalham dentro das normas legais vigentes e denunciou que alguns trabalhadores da empresa sofreram "situações de tensão, agressão e hostilidade".Um grupo de delegados da Foetra deve analisar nesta sexta-feira a convocação de uma greve geral no setor de telecomunicações.A Telecom, controlada por uma sociedade do Grupo W, Telecom Itália e France Cables et Radio, ainda não fez nenhum comentário sobre o conflito.

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