Aumenta dissidência nas fileiras de Chávez

Até aliados começam a criticar reforma constitucional na Venezuela

Caracas, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

A Venezuela deve aprovar sua reforma da Constituição no dia 2, criando jornadas de trabalho diárias de apenas seis horas, pensões para empregadas e donas de casas, além de dar ao presidente Hugo Chávez a possibilidade de reeleger-se indefinidamente.As reformas, no entanto, vêm sofrendo duras críticas por parte da população e economistas, que a consideram demagógicas. Mas, agora, a dissidência pode estar surgindo da própria base de apoio de Chávez. "Há uma tentativa perversa de subverter nossa atual Constituição", afirmou o general Raúl Isaías Baduel, ex-ministro de Defesa e ex-aliado do presidente venezuelano. "Isso não é uma reforma. É um golpe de estado", acusou Baduel em entrevista na semana passada.A ex-mulher de Chávez, Marisabel Rodríguez, também uniu-se ao coro da oposição, afirmando que a reforma levará a "uma concentração de poderes absoluta". Percebendo que seus poderes estão ameaçados, até mesmo governadores partidários do presidente, como o do Estado de Sucre, Ramón Martínez, já começaram a criticar as medidas propostas por Chávez. Na semana passada, protestos de estudantes contra a reforma constitucional acabaram deixando vários feridos. Chávez já anunciou que não permitirá mais protestos estudantis.POLÊMICAO primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou ontem que está fazendo o possível para recuperar o clima de confiança entre seu país e a Venezuela, após o bate-boca entre o rei espanhol Juan Carlos e Chávez no dia 10, durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana, no Chile. Juan Carlos mandou Chávez calar-se após o venezuelano chamar o ex-premiê espanhol José María Aznar de "fascista". Zapatero lembrou, no entanto, que seu governo atua "com respeito mas com firmeza quando necessário". O Partido Popular (PP) de Aznar rebateu ontem a declaração de Chávez de que o rei deveria pedir desculpas, afirmando que é o venezuelano quem tem de se desculpar "por ter sido tão grosseiro".THE NEW YORK TIMES, REUTERS, EFE E AFP

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